Um paciente de 68 anos apresenta quadro de cólica biliar recorrente, com clara indicação de colecistectomia videolaparoscópica. Ele refere uso diário de rivaroxabana, iniciado há um ano, após episódio de isquemia cerebral transitória.
Pegadinha central: DOAC não segue a lógica da varfarina; a suspensão costuma ser de poucos dias.
CHEST 2022: rivaroxabana geralmente é suspensa por 1 a 2 dias conforme risco de sangramento.
ACC 2024 considera colecistectomia de risco baixo a moderado e frequentemente usa cerca de 1 dia de interrupção, portanto o intervalo deve ser individualizado.
Ponte com heparina não é rotina durante interrupção curta de rivaroxabana.
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Contexto
A rivaroxabana é um anticoagulante oral direto inibidor do fator Xa, com meia-vida relativamente curta. A interrupção pré-operatória depende principalmente do risco hemorrágico do procedimento, função renal, momento da última dose e uso de anestesia neuraxial.
A diretriz CHEST de 2022 recomenda suspender rivaroxabana por 1 a 2 dias antes de procedimentos eletivos, utilizando 1 dia para risco baixo a moderado e 2 dias para procedimentos de maior risco hemorrágico. A alternativa de 48 horas corresponde ao intervalo de 2 dias adotado pelo gabarito da prova.
Existe uma atualização importante: uma revisão de manejo perioperatório divulgada pelo American College of Cardiology em 2024 classifica a colecistectomia como procedimento de risco hemorrágico baixo a moderado e sugere, em pacientes com função renal adequada, omitir a rivaroxabana por aproximadamente 1 dia antes do procedimento, cerca de 30 a 36 horas. Portanto, o gabarito B deve ser preservado para esta questão, mas o intervalo contemporâneo não é fixamente 48 horas para toda colecistectomia.
Na maioria dos pacientes em DOAC não se realiza ponte com heparina, porque o período sem anticoagulação é curto e o bridging aumenta sangramento sem benefício rotineiro. A retomada após a cirurgia depende da hemostasia e do risco de sangramento, geralmente não antes de 24 horas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Uma semana é muito maior que o necessário para a farmacocinética habitual da rivaroxabana e aumenta desnecessariamente o período sem anticoagulação.
B) Correta (gabarito). Suspensão por 48 horas corresponde ao intervalo de 2 dias aceito em protocolos perioperatórios para procedimentos com maior preocupação hemorrágica e é o valor cobrado pela prova. A ressalva atual é que colecistectomia laparoscópica costuma ser classificada como risco baixo a moderado, podendo ser manejada com cerca de 1 dia de interrupção em pacientes selecionados.
C) Incorreta. Dez dias excedem amplamente o período necessário para eliminação do anticoagulante e aumentariam risco tromboembólico sem benefício esperado.
D) Incorreta. Quatro dias também são mais do que o necessário para rivaroxabana na maioria dos procedimentos eletivos, salvo circunstâncias especiais não descritas.