Lactente de 4 meses é internada na enfermaria de pediatria com quadro de febre (38oC), tosse e taquidispneia importante com sibilância. Está sendo tratada com β2 agonista inalatório e obteve melhora parcial do quadro respiratório. Após cinco dias, evolui com piora clínica importante, necessitando de intubação orotraqueal para suporte ventilatório e transferência para UTI pediátrica. Ao exame do aparelho respiratório, apresenta estertores crepitantes e sibilos difusos. A radiografia de tórax evidencia infiltrado em lobo médio direito que apaga a silhueta cardíaca. Foi instituída antibioticoterapia, além de intensificação da terapêutica com β2 agonista inalatório e fisioterapia respiratória. Por não apresentar melhora respiratória, optou-se pela realização de tomografia computadorizada de tórax, que evidenciou bronquiectasias, perfusão em mosaico e atenuação vascular.
Pegadinha central: criança que não volta ao basal depois de bronquiolite ou pneumonia grave e mantém sibilância deve lembrar bronquiolite obliterante.
Mosaico de perfusão e aprisionamento aéreo são os achados tomográficos mais característicos.
Bronquiectasias e vasos mais finos nas regiões hipoventiladas reforçam doença crônica de pequenas vias aéreas.
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Contexto
A bronquiolite obliterante pós-infecciosa é uma doença crônica das pequenas vias aéreas que surge após agressão respiratória grave, com inflamação e fibrose concêntrica dos bronquíolos. Adenovírus é o agente clássico, embora outros vírus e bactérias possam desencadear o processo.
O caso mostra um lactente com infecção respiratória grave, necessidade de ventilação mecânica e persistência de sibilância e insuficiência respiratória apesar da melhora esperada da fase infecciosa. A revisão pediátrica de 2024 e a atualização de 2026 sobre bronquiolite obliterante pós-infecciosa destacam como achados tomográficos de alto rendimento perfusão em mosaico, aprisionamento aéreo, redução do calibre vascular e bronquiectasias. O mosaico reflete regiões hipoventiladas que sofrem vasoconstrição hipóxica e ficam hipoperfundidas.
O diagnóstico é clínico-radiológico e exige excluir outras causas de obstrução crônica, como fibrose cística, discinesia ciliar e imunodeficiência. Em crianças maiores, provas funcionais mostram obstrução persistente e pouco reversível. O tratamento é predominantemente de suporte e individualizado, porque não existe terapia capaz de reverter a fibrose bronquiolar estabelecida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Fibrose cística pode produzir bronquiectasias e infecções respiratórias recorrentes, mas o início imediatamente após uma agressão pulmonar grave e a combinação de mosaico de perfusão com atenuação vascular favorecem bronquiolite obliterante pós-infecciosa.
B) Correta (gabarito). A persistência de obstrução após infecção grave, associada a bronquiectasias, perfusão em mosaico e redução vascular na tomografia, forma o padrão típico de bronquiolite obliterante pós-infecciosa.
C) Incorreta. Pneumonia necrosante é marcada por necrose parenquimatosa, múltiplas cavitações ou pneumatoceles dentro de área consolidada. Esse não é o padrão predominante da tomografia descrita.
D) Incorreta. Doenças pulmonares intersticiais congênitas apresentam padrão difuso próprio e não costumam surgir como sequela direta de infecção respiratória grave com obstrução fixa de pequenas vias aéreas.