Paciente de 19 anos é internada com 38 semanas de gestação, devido a quadro de pré-eclâmpsia leve, e, por isso, é submetida a indução do trabalho de parto, evoluindo com parto vaginal sem intercorrências. No 1o dia pós-parto, solicita-se avaliação devido a pico hipertensivo (PA = 170 x 110 mmHg). No momento da avaliação, constata-se crise convulsiva tônico-clônica.
Pegadinha central: convulsão no puerpério em paciente hipertensa é eclâmpsia até prova em contrário.
OMS 2025: magnésio é preferido a outros anticonvulsivantes.
PA de 170 x 110 mmHg também exige tratamento anti-hipertensivo urgente em paralelo.
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Contexto
Convulsão tônico-clônica no primeiro dia pós-parto em paciente com doença hipertensiva da gestação caracteriza eclâmpsia puerperal até que outra causa seja demonstrada. A eclâmpsia pode ocorrer durante a gestação, no parto ou no puerpério e não depende de a pré-eclâmpsia ter sido previamente classificada como grave.
As recomendações maternas da OMS de 2025 mantêm o sulfato de magnésio como anticonvulsivante de escolha para tratamento da eclâmpsia, superior a diazepam e fenitoína na prevenção de recorrência e na redução de complicações maternas. Regimes intravenosos usuais empregam dose de ataque de 4 a 6 g, seguida de manutenção de 1 a 2 g por hora, com vigilância clínica da respiração, reflexos e diurese.
A paciente também apresenta hipertensão grave, 170 x 110 mmHg, que precisa ser tratada rapidamente com anti-hipertensivo apropriado, como hidralazina, labetalol ou nifedipina de ação imediata conforme protocolo. Esse tratamento ocorre em paralelo, mas não substitui o magnésio para a convulsão.
Se houver nova crise apesar de magnésio, uma dose adicional pode ser necessária e causas neurológicas alternativas devem ser consideradas em situações atípicas ou refratárias.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Sulfato de magnésio é a droga de primeira escolha para interromper e prevenir recorrência de convulsões eclâmpticas, inclusive no puerpério.
B) Incorreta. Hidralazina trata a hipertensão grave e deve ser administrada neste caso, mas não possui ação anticonvulsivante e não substitui o magnésio.
C) Incorreta. Diazepam pode ser utilizado em crises convulsivas de outras etiologias, mas é inferior ao sulfato de magnésio na eclâmpsia e não é primeira escolha.
D) Incorreta. Fenitoína também é menos eficaz que sulfato de magnésio para prevenir recorrência de eclâmpsia e fica reservada a situações específicas em que magnésio não possa ser utilizado.