Pancreatite

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Questão 30
UERJ · 2020

Mulher de 58 anos apresentou quadro de dor abdominal mal definida, com aproximadamente seis meses de evolução, associada a náuseas e à perda ponderal de três quilos no período. Realizou tomografia computadorizada de abdome que identificou presença de colelitíase e lesão sólido-cística, heterogênea, com aproximadamente 7 cm de diâmetro junto à cauda do pâncreas. O exame foi complementado com ecoendoscopia com biópsia por agulha fina da lesão cuja análise mostrou amilase de 1.345 U/L; CEA 1,1 ng/ml; e ausência de mucina.

Nesse caso, o diagnóstico mais provável é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A análise do líquido de uma lesão cística pancreática ajuda a separar pseudocistos de neoplasias mucinosas e serosas. O padrão desta questão é amilase elevada, CEA muito baixo e ausência de mucina, combinação que favorece pseudocisto entre as alternativas apresentadas.

Revisões de 2024 sobre cistos pancreáticos reforçam uma nuance importante: amilase elevada não é específica de pseudocisto, porque IPMN também pode comunicar-se com o ducto e apresentar valores altos. Em contrapartida, amilase muito baixa, classicamente abaixo de 250 U/L, torna pseudocisto improvável. CEA muito baixo e ausência de mucina afastam uma lesão mucinosa, mas nenhum marcador isolado fecha o diagnóstico.

Outro detalhe é que pseudocisto costuma surgir após pancreatite aguda, pancreatite crônica, trauma pancreático ou ruptura ductal. O enunciado não fornece esse antecedente, o que reduziria a probabilidade pré-teste na prática real. Assim, C é a melhor opção pelo perfil do líquido, mas a avaliação contemporânea integraria história clínica, morfologia em TC ou ressonância, ecoendoscopia, citologia e, quando necessário, marcadores moleculares.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. IPMN é neoplasia mucinosa e costuma apresentar mucina ou evidências de comunicação ductal. Pode ter amilase elevada, portanto esse dado isolado não a exclui, mas o CEA de 1,1 ng/mL e a ausência de mucina tornam a alternativa menos provável.

B) Incorreta. Adenocarcinoma de cólon esquerdo não explica uma lesão sólido-cística localizada na cauda pancreática nem o padrão bioquímico do líquido obtido por ecoendoscopia.

C) Correta (gabarito). Pseudocisto é a opção que melhor combina amilase intracística elevada, CEA muito baixo e ausência de mucina. A ressalva é que, em prática moderna, a ausência de história de pancreatite exigiria cautela antes de fechar o diagnóstico apenas pela análise do líquido.

D) Incorreta. Linfoma não Hodgkin pode envolver o pâncreas, mas não produz o perfil típico de uma coleção cística rica em amilase e pobre em CEA e mucina.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: CEA ajuda mais a separar mucinoso de não mucinoso; amilase ajuda a inferir comunicação ductal.

  • Pseudocisto costuma ter CEA baixo e amilase alta, mas história prévia de pancreatite é uma pista clínica muito importante.

  • IPMN também pode ter amilase alta, por isso nenhum marcador intracístico deve ser interpretado isoladamente.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Pancreatite” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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