Uma paciente de 38 anos, internada para tratamento cirúrgico de litíase biliar sintomática, relata início súbito de palpitações e dispneia leve. Ao exame físico, encontra-se taquicárdica (170 bpm) e sem congestão pulmonar. O ritmo cardíaco é regular, em dois tempos e sem sopros. O eletrocardiograma revela taquicardia regular de complexos QRS estreitos, sem onda P visível, com a frequência de disparos anteriormente assinalada.
Pegadinha central: QRS estreito mais regular mais paciente estável: manobra vagal e depois adenosina.
Adenosina: 6 mg em bolus rápido; se necessário, 12 mg na dose seguinte.
Se houver hipotensão, choque, alteração de consciência, dor isquêmica ou insuficiência cardíaca aguda causada pela taquicardia, pense em cardioversão sincronizada.
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Contexto
Taquicardia de início súbito, regular, com frequência de 170 bpm, QRS estreito e onda P não visível é típica de taquicardia supraventricular regular por reentrada, especialmente taquicardia por reentrada nodal atrioventricular ou por via acessória. A paciente não apresenta hipotensão, alteração do nível de consciência, dor isquêmica ou insuficiência cardíaca aguda, portanto está hemodinamicamente estável.
As Diretrizes AHA 2025 para suporte avançado de vida recomendam primeiro manobras vagais em taquicardia regular de QRS estreito estável. Se não houver reversão, utiliza-se adenosina 6 mg em bolus intravenoso rápido, imediatamente seguida de flush com solução salina. Se necessário, pode-se administrar segunda dose de 12 mg.
A adenosina causa bloqueio transitório do nó AV e interrompe taquicardias cujo circuito depende dessa estrutura. Pela meia-vida de poucos segundos, a administração deve ser realmente rápida e por acesso venoso de bom calibre. Em pacientes instáveis, a conduta muda para cardioversão elétrica sincronizada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cardioversão sincronizada é indicada imediatamente quando a taquicardia causa instabilidade hemodinâmica ou quando tratamento farmacológico e manobras vagais falham ou são contraindicados. A paciente está estável.
B) Incorreta. Amiodarona não é primeira escolha para taquicardia regular de QRS estreito estável e a dose proposta não corresponde ao manejo inicial preferencial desse ritmo.
C) Correta (gabarito). Adenosina 6 mg em bolus intravenoso rápido é a dose inicial recomendada pela AHA 2025 após manobras vagais em taquicardia regular de QRS estreito estável.
D) Incorreta. Marca-passo transvenoso é empregado principalmente em bradicardia sintomática grave ou distúrbios de condução específicos, não em taquicardia supraventricular regular.