O diagnóstico precoce muda o prognóstico de determinadas doenças,
Pegadinha central: rastreamento nunca significa pedir exames para todos; sempre existe população-alvo.
USPSTF: diabetes tipo 2, 35 a 70 anos com sobrepeso ou obesidade; câncer colorretal, 45 a 75 anos em risco habitual.
Pulmão exige alto risco tabágico; próstata exige decisão compartilhada; esteatose não tem rastreamento universal.
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Contexto
Rastreamento é a aplicação de testes em pessoas assintomáticas para identificar doença ou estado precursor em fase em que o tratamento precoce melhora desfechos relevantes. Não basta existir um teste capaz de detectar a doença: é necessário demonstrar benefício líquido, definir população-alvo e assegurar capacidade de confirmação diagnóstica e tratamento.
A redação da questão fala em população geral, mas as recomendações atuais são mais precisas e trabalham com faixas etárias e fatores de risco. A USPSTF mantém rastreamento de pré-diabetes e diabetes tipo 2 em adultos de 35 a 70 anos com sobrepeso ou obesidade. Para câncer colorretal, recomenda rastreamento de adultos de risco habitual dos 45 aos 75 anos, com decisão individualizada dos 76 aos 85 anos. O Ministério da Saúde também reconhece atualmente o rastreamento do câncer colorretal dentro de populações-alvo definidas.
Câncer de pulmão não é rastreado indiscriminadamente: a tomografia de baixa dose é destinada a pessoas com história tabágica de alto risco. Rastreamento universal de hipotireoidismo subclínico e de esteatose hepática também não é recomendado. Para câncer de próstata, a estratégia contemporânea envolve decisão compartilhada em grupos selecionados, e não rastreamento universal automático.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Avaliação de risco cardiovascular faz parte da prevenção clínica, mas rastreamento de câncer de pulmão só é recomendado para pessoas com perfil tabágico e faixa etária de alto risco, não para a população geral.
B) Incorreta. Não há recomendação de rastreamento populacional universal para hipotireoidismo subclínico. Para câncer de próstata, a decisão depende de idade, risco e preferências após discussão de benefícios e danos.
C) Correta (gabarito). Diabetes tipo 2 e câncer colorretal são condições para as quais existem estratégias de rastreamento validadas em populações assintomáticas elegíveis. A ressalva atual é que nenhum dos dois deve ser rastreado sem considerar idade e risco.
D) Incorreta. Câncer de mama possui programa de rastreamento em faixa etária definida, mas esteatose hepática não é objeto de rastreamento universal da população geral, tornando o par incorreto.