Homem chegou ao pronto-socorro muito ansioso, com queixa de falta de ar, informando que é portador de câncer de pulmão e DPOC. A presença de hipóxia está em avaliação pelo médico.
Pegadinha central: oxigênio trata hipoxemia; não é sinônimo de tratamento universal da dispneia.
ASCO: se medidas não farmacológicas não bastarem, opioide sistêmico deve ser oferecido para dispneia refratária.
Benzodiazepínico é adjuvante para ansiedade relevante, não substituto do opioide.
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Contexto
A dispneia em cuidados paliativos deve ser tratada como sintoma multidimensional. Primeiro avaliam-se causas potencialmente reversíveis, como broncoespasmo, derrame pleural, infecção, anemia ou tromboembolismo, ao mesmo tempo em que se iniciam medidas de conforto, como reposicionamento, ambiente ventilado e fluxo de ar direcionado à face.
A diretriz da ASCO para dispneia em câncer avançado recomenda oxigênio suplementar quando há hipoxemia. Em pacientes sem hipoxemia, oxigênio não demonstrou benefício consistente superior ao ar ambiente. Quando medidas não farmacológicas são insuficientes, opioides sistêmicos devem ser oferecidos para dispneia refratária.
Benzodiazepínicos não são tratamento de primeira linha da sensação de falta de ar. Podem ser considerados como adjuvantes quando existe ansiedade intensa e persistente apesar do tratamento da dispneia. Opioides nebulizados ou inalados não possuem evidência suficiente para substituir a via sistêmica.
Assim, a alternativa B é a melhor entre as oferecidas, mas deve ser lida com nuance: oxigênio depende de hipoxemia e ansiolítico depende de ansiedade relevante ou refratária, enquanto o opioide sistêmico é o fármaco central para dispneia persistente em cuidados paliativos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Medo de dependência não justifica postergar opioide quando há dispneia refratária em doença avançada. A dose é titulada ao sintoma e monitorada conforme resposta e efeitos adversos.
B) Correta (gabarito). A alternativa reúne abordagem multimodal com posicionamento, oxigênio quando houver hipoxemia, opioide para dispneia persistente e ansiolítico quando ansiedade importante participa do sintoma. A prática atual individualiza cada componente.
C) Incorreta. Oxigênio isolado não é suficiente para dispneia multifatorial e seu benefício é mais claro quando há hipoxemia documentada.
D) Incorreta. Benzodiazepínico pode ajudar ansiedade selecionada, mas opioide inalatório não é estratégia padrão. Para dispneia refratária, a evidência favorece opioides sistêmicos.