Refluxo gastroesofágico e APLV

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Questão 38
UERJ · 2020

Lactente com 1 mês de vida é levado para atendimento, pois apresentou dois episódios de sangramento vivo, de pequena monta, em fezes. Nascido de parto normal, a termo, sem intercorrências neonatais, está em aleitamento materno exclusivo. A mãe refere que o acha bastante irritado e, por vezes, nota distensão abdominal. O exame físico é normal e o exame do ânus não mostra fissura.

A conduta terapêutica adequada é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Lactente de 1 mês, em bom estado geral, com pequenos episódios de sangue vivo nas fezes e sem fissura anal apresenta fenótipo compatível com proctocolite alérgica induzida por proteína alimentar, forma não mediada por IgE de alergia alimentar que costuma surgir nas primeiras semanas de vida.

Em lactentes exclusivamente amamentados, a estratégia inicial é manter o aleitamento materno. O Position Paper ESPGHAN de 2024 e o consenso específico de proctocolite de 2025 recomendam que, quando a suspeita clínica é consistente, pode-se realizar dieta materna sem proteína do leite de vaca por 2 a 4 semanas. Se os sintomas melhorarem, a reintrodução do leite de vaca na dieta materna é importante para demonstrar relação causal e evitar restrições desnecessárias.

A atualização é especialmente importante porque sangue ocasional nas fezes do lactente pode ter outras causas e a alergia ao leite de vaca é frequentemente superdiagnosticada. Portanto, eliminação prolongada não deve ser mantida indefinidamente sem confirmação clínica. Se a dieta materna precisar permanecer restrita, deve-se garantir orientação nutricional e suplementação de cálcio e vitamina D.

O problema é a proteína do leite, não a lactose. Fórmulas sem lactose continuam contendo proteínas lácteas. Fórmula de soja também não é primeira escolha em lactentes pequenos com suspeita de alergia à proteína do leite.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Deve-se preservar o aleitamento e realizar exclusão diagnóstica da proteína do leite de vaca da dieta materna por período limitado. A melhora seguida de recorrência após reintrodução confirma melhor a relação causal.

B) Incorreta. Suspender aleitamento é desnecessário na maioria dos casos e fórmula de soja não é primeira escolha, especialmente em lactentes pequenos, devido à possibilidade de reação concomitante e menor adequação como teste inicial.

C) Incorreta. Lactose é um carboidrato e não desencadeia a reação imunológica da proctocolite. Reduzir lactose materna não remove as proteínas alergênicas do leite de vaca.

D) Incorreta. Fórmula sem lactose ainda contém proteínas do leite de vaca e não trata alergia proteica. Além disso, não há necessidade de interromper amamentação de rotina.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: APLV é problema de proteína, não de lactose.

  • ESPGHAN 2024: em lactente exclusivamente amamentado, mantenha o peito e considere exclusão materna por 2 a 4 semanas quando a suspeita for consistente.

  • Reintrodução é parte importante da confirmação diagnóstica e evita dietas maternas desnecessárias.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Refluxo gastroesofágico e APLV” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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