Trabalho de parto prematuro e RPMO

Acesso diretoQuestão anulada pela bancaComentada pelo MedBoard
Questão 62
UERJ · 2020

Gestante de 28 anos, primigesta, com 33 semanas de idade gestacional, internou-se na maternidade há quatro dias em trabalho de parto prematuro. Foi realizada tocólise por 48 horas e administrada dose completa de corticoide, com melhora do quadro. Hoje voltou a se queixar de dor do tipo cólica e, ao exame, observou-se AU = 3/10”/40”, colo 80% apagado, dilatado para 5cm, BCF = 144 e cardiotocografia com acelerações.

Nesse momento, a conduta que deve ser adotada é:
Esta questão foi anulada pela banca, então não existe alternativa correta. O comentário abaixo explica o que ela cobrava e por que não se sustentou.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A questão foi anulada e não possui alternativa correta. A gestante está com 33 semanas, contrações regulares, colo 80% apagado e dilatação de 5 cm, portanto apresenta trabalho de parto prematuro estabelecido e relativamente avançado. Já recebeu 48 horas de tocólise e um ciclo completo de corticoide quatro dias antes.

As recomendações atuais reservam tocólise principalmente para ganhar aproximadamente 48 horas, permitindo completar corticoide e transferência para centro apropriado. Retomar tocólise de manutenção após um curso já concluído não é recomendação rotineira, especialmente com progressão cervical importante.

Quanto ao corticoide, um ciclo de resgate é considerado quando persiste risco de parto prematuro e o ciclo anterior foi realizado há tempo suficiente, classicamente mais de 14 dias, podendo ser antecipado para cerca de 7 dias em situações selecionadas. Quatro dias após o ciclo completo é cedo demais para repetição rotineira.

O sulfato de magnésio para neuroproteção fetal é recomendado em idades gestacionais mais precoces, com limites que variam entre protocolos. Recomendações norte-americanas concentram seu uso antes de 32 semanas, enquanto algumas referências internacionais admitem uso até idades um pouco maiores. Aos 33 semanas, portanto, sua indicação não é universal. Como o trabalho de parto é prematuro e o estado do estreptococo do grupo B pode ser desconhecido, antibioticoprofilaxia intraparto pode ser indicada, mas isso não torna a combinação da alternativa A inequivocamente correta.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B pode ser necessária em trabalho de parto prematuro conforme o estado materno de colonização, mas sulfato de magnésio para neuroproteção aos 33 semanas não é recomendação universal. A associação obrigatória dos dois fármacos torna a alternativa inadequada como resposta única.

B) Incorreta. Prematuridade com 33 semanas, por si só, não indica cesariana. A cardiotocografia apresenta acelerações e não há descrição de sofrimento fetal, apresentação anômala ou outra indicação obstétrica de operação urgente.

C) Incorreta. O ciclo de corticoide foi concluído há apenas quatro dias. Não se recomenda repetir rotineiramente o esquema nesse intervalo tão curto.

D) Incorreta. A paciente já recebeu 48 horas de tocólise e agora apresenta trabalho de parto avançado com 5 cm de dilatação. Tocólise repetida ou de manutenção não constitui conduta rotineira nesse cenário.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: a questão é anulada porque nenhuma alternativa reúne de forma inequívoca a conduta atual.

  • Tocólise serve principalmente para ganhar cerca de 48 horas para corticoide e transferência, não para manter a gestação indefinidamente.

  • Não repita corticoide quatro dias após um ciclo completo.

  • Prematuridade isolada não é indicação de cesariana.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Trabalho de parto prematuro e RPMO” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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