Síndromes coronarianas agudas

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Questão 58
UERJ · 2021

Mulher de 30 anos e sem fatores de risco para doença cardíaca isquêmica (DCI) busca, muito nervosa, atendimento na Clínica de Família devido à queixa de dor precordial aos esforços que melhora em repouso e com início há um mês. Procurou médico particular que solicitou um teste ergométrico. O pai, de 78 anos de idade, morreu de infarto agudo do miocárdio (IAM) há dois meses.

Visto as características clínicas da paciente, a probabilidade pré-teste de que ela tenha DCI é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A probabilidade pré-teste de doença arterial coronariana obstrutiva depende de idade, sexo, características dos sintomas e fatores de risco. Embora a dor descrita seja compatível com angina de esforço, a paciente tem apenas 30 anos, é mulher e não apresenta fatores de risco tradicionais. Esses elementos tornam a probabilidade de doença coronariana obstrutiva muito baixa ou baixa.

As Diretrizes ESC de Síndromes Coronarianas Crônicas de 2024 passaram a recomendar um modelo de probabilidade clínica ponderado por fatores de risco, incorporando idade, sexo, sintomas e fatores como tabagismo, hipertensão, dislipidemia, diabetes e história familiar relevante. Esse modelo reclassifica muitos indivíduos jovens para categorias muito baixas nas quais testes adicionais podem não ser necessários.

O ponto estatístico da questão é o valor preditivo. Quando a prevalência pré-teste é baixa, mesmo um exame com desempenho razoável produz proporcionalmente mais falsos positivos. Assim, um teste ergométrico positivo em uma mulher jovem de risco basal muito baixo não confirma sozinho doença coronariana. A morte do pai aos 78 anos não configura história familiar de doença coronariana prematura.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A probabilidade pré-teste é baixa pela idade, sexo e ausência de fatores de risco. Nesse cenário, um teste ergométrico positivo possui valor preditivo positivo limitado e não confirma isoladamente doença coronariana.

B) Incorreta. A classificação como muito baixa é defensável pelos modelos atuais, mas a segunda afirmação está errada: um teste positivo não estabelece automaticamente o diagnóstico em população de prevalência muito baixa.

C) Incorreta. O perfil não sustenta probabilidade moderada. A utilidade de um resultado negativo depende justamente da baixa probabilidade prévia e do exame escolhido.

D) Incorreta. Não há base para probabilidade alta de doença coronariana obstrutiva em mulher de 30 anos sem fatores de risco relevantes.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: quanto menor a probabilidade pré-teste, maior a chance de um positivo ser falso-positivo.

  • História familiar de risco é mais relevante quando o evento coronariano ocorre prematuramente, não aos 78 anos.

  • ESC 2024 usa idade, sexo, sintomas e fatores de risco para estimar probabilidade clínica de DAC obstrutiva.

  • Em probabilidade muito baixa, muitas vezes o melhor exame é nenhum exame para DAC obstrutiva, desde que outras causas da dor sejam avaliadas adequadamente.

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Bia
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