Jovem de 23 anos é internado com quadro de febre, calafrios e cefaleia. O exame clínico mostra sinais de irritação meníngea. Não há sinais focais. O médico procede à punção lombar, que revela predomínio de granulócitos e presença de diplococos Gram-negativos aos pares. O resultado do látex é positivo para meningococo. O tratamento é imediatamente iniciado com penicilina cristalina 24.000.000UI.
Pegadinha central: tratar meningite meningocócica com penicilina não garante erradicação do meningococo da nasofaringe.
Contactantes próximos recebem quimioprofilaxia cedo, idealmente nas primeiras 24 horas, sem esperar o término do tratamento do caso-índice.
Se o tratamento do caso foi ceftriaxona ou cefotaxima, em geral não é necessária profilaxia adicional do próprio paciente.
Questão antiga pode tratar ceftriaxona como resposta única; hoje rifampicina também é esquema plenamente aceito e é primeira escolha no protocolo brasileiro.
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Contexto
Diplococos Gram-negativos aos pares no líquor e teste de látex positivo identificam doença meningocócica por Neisseria meningitidis. Além de tratar o paciente, é necessário interromper a transmissão por colonização nasofaríngea. O ponto decisivo é saber qual antibiótico foi usado no tratamento. Ceftriaxona e cefotaxima erradicam de forma confiável a colonização; penicilina cristalina pode tratar a infecção invasiva sem eliminar de modo confiável o estado de portador.
Segundo a orientação do Ministério da Saúde de 2024, o próprio paciente deve receber quimioprofilaxia se seu tratamento não tiver sido feito com ceftriaxona ou cefotaxima. Os contatos próximos do caso suspeito ou confirmado também devem receber quimioprofilaxia, idealmente o mais cedo possível, preferencialmente nas primeiras 24 horas após identificação do caso, e não apenas ao fim do tratamento do paciente.
No Brasil, a rifampicina é indicada como primeira escolha para quimioprofilaxia, enquanto ceftriaxona e ciprofloxacino são alternativas em situações apropriadas. O CDC também considera rifampicina, ceftriaxona e ciprofloxacino esquemas eficazes para erradicação da colonização. Portanto, a formulação antiga desta questão ficou menos exclusiva do que o gabarito sugere. O gabarito D deve ser mantido porque ceftriaxona é uma opção válida em dose única para o paciente tratado com penicilina e para contactantes, mas a prática atual também reconhece rifampicina como esquema válido.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O paciente tratado com penicilina precisa de erradicação da colonização, mas os contactantes íntimos também necessitam quimioprofilaxia. Fazer profilaxia apenas no caso-índice não interrompe a cadeia de transmissão.
B) Incorreta. Ceftriaxona é opção eficaz para o próprio paciente após tratamento com penicilina, mas a alternativa ignora os contactantes próximos, que também precisam de profilaxia.
C) Incorreta. No referencial original da questão, o esquema escolhido para representar a profilaxia do paciente e dos contatos é ceftriaxona. Pela recomendação atual, porém, a rifampicina também é esquema válido e, no Brasil, é primeira escolha para contactantes; por isso esta alternativa tornou-se farmacologicamente plausível com a atualização das diretrizes.
D) Correta (gabarito). Como o paciente foi tratado com penicilina, deve receber uma droga capaz de erradicar a colonização nasofaríngea, e os contactantes próximos também devem ser protegidos. A ceftriaxona é opção eficaz em dose única para essa finalidade.