Complicações anestésicas e manejo da dor

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Questão 54
UERJ · 2021

Mulher de 59 anos foi atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), apresentando dor lombar contínua, de forte intensidade, com piora progressiva desde o início do quadro há um mês e, especialmente, à noite. Faz uso de analgésicos e anti-inflamatórios por conta própria. Relata ter sido costureira, mas, no momento, não está trabalhando. Informa ter tido câncer de mama há cinco anos, mas já recebeu alta da oncologia. Também relata dor epigástrica, mesmo em uso de omeprazol 20mg. O médico realiza o exame físico e identifica hiperalgesia aos estímulos. Ele solicita um raio X que evidencia lesões líticas.

Para a abordagem da dor e manejo adequado dos sintomas, a conduta mais recomendada é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Dor lombar contínua, progressiva, pior à noite, associada a antecedente de câncer de mama e lesões líticas constitui sinal de alarme para metástase óssea. O manejo correto precisa ocorrer em duas frentes ao mesmo tempo: investigar rapidamente a etiologia e aliviar a dor sem esperar a conclusão de todo o estadiamento.

Dor oncológica deve ser tratada de forma regular, individualizada e proporcional à intensidade. Opioides são indicados para dor moderada a intensa e podem ser titulados conforme resposta, associando medidas adjuvantes quando apropriado. Dor óssea metastática também pode responder a radioterapia, além de tratamentos sistêmicos e agentes dirigidos ao osso conforme o tumor e o estágio.

O uso indiscriminado de anti-inflamatórios não esteroides deve ser revisto diante de epigastralgia persistente e automedicação. Esses fármacos podem causar gastrite, úlcera, sangramento e lesão renal, e a via intramuscular não elimina a toxicidade gastrointestinal sistêmica. A paciente ainda precisa ser avaliada para complicações urgentes, como compressão medular, especialmente se surgirem déficit neurológico, anestesia em sela ou alterações esfincterianas.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A história sugere recidiva oncológica com metástase óssea, mas não se deve informar câncer como diagnóstico definitivo sem investigação adequada nem manter analgesia insuficiente diante de dor intensa e progressiva.

B) Incorreta. Investigar a causa está correto, porém anti-inflamatório intramuscular não é a melhor estratégia em paciente com epigastralgia e uso prévio frequente de AINE. A via IM não evita seus efeitos adversos sistêmicos.

C) Correta (gabarito). Integra o antecedente oncológico ao manejo da dor, propõe analgesia regular com opioide para dor intensa e interrompe um fármaco potencialmente nocivo diante da queixa gastrointestinal.

D) Incorreta. Apoio e comunicação são indispensáveis, mas aumentar omeprazol não trata adequadamente a provável dor óssea metastática nem substitui investigação oncológica e analgesia proporcional à intensidade.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: dor óssea noturna mais câncer prévio e lesão lítica é metástase até prova em contrário.

  • Não espere terminar a investigação para tratar dor oncológica intensa.

  • Via intramuscular de AINE não protege estômago nem rim dos efeitos sistêmicos.

  • Nova fraqueza, alteração esfincteriana ou anestesia em sela exige investigação imediata de compressão medular.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Complicações anestésicas e manejo da dor” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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