Lactente de 8 meses é levada à emergência com quadro de febre de 39°C há três dias. Responsáveis relatam que a paciente não apresenta nenhuma comorbidade de base, não fazendo uso de nenhuma medicação, além de conseguir ingerir líquidos sem restrições. A caderneta de vacinação está completa para idade. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral, fontanela anterior normotensa, anictérica, acianótica, hidratada, corada, com boa perfusão periférica. Exame físico sem alterações: FC = 120bpm; FR = 40irpm; temperatura axilar = 39,10C.
Pegadinha central: febre sem foco em lactente lembra ITU, mas criança estável não precisa automaticamente de internação.
Urocultura deve ser colhida antes do antibiótico quando o EAS sugere ITU.
Para confirmar cultura em lactentes, prefira amostra por cateterismo ou punção suprapúbica; saco coletor tem alta taxa de contaminação.
Via oral é adequada quando a criança está estável e tolera medicação; a gravidade clínica define a necessidade de terapia parenteral.
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Contexto
Em lactente de 8 meses com febre de 39 °C por três dias e sem foco ao exame, a infecção do trato urinário é uma das principais infecções bacterianas ocultas a investigar, especialmente em menina. O bom estado geral, hidratação preservada, perfusão adequada, ausência de sinais meníngeos e capacidade de ingerir líquidos tornam menos provável a necessidade imediata de internação e antibioticoterapia parenteral.
A avaliação deve começar pela urina. O EAS procura leucocitúria, esterase leucocitária, nitrito e bacteriúria. Se o exame sugerir ITU, a urocultura deve ser colhida antes do primeiro antibiótico, preferencialmente por método que reduza contaminação, como cateterismo vesical ou punção suprapúbica quando apropriado. Cultura de saco coletor não é método confiável para confirmar ITU por causa da alta contaminação.
Uma criança maior de 2 meses, clinicamente estável, hidratada, sem vômitos persistentes e capaz de receber medicação por via oral pode ser tratada ambulatorialmente com antibiótico oral após a coleta da cultura. Hemograma e hemocultura não são obrigatórios de rotina em toda criança bem aparente dessa faixa etária com suspeita isolada de ITU; ficam reservados para toxicidade, instabilidade, suspeita de bacteremia, comorbidade relevante ou outros elementos de maior risco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. EAS é apropriado, mas resultado sugestivo de ITU não obriga internação e antibiótico parenteral em uma lactente de 8 meses estável, hidratada e tolerando via oral.
B) Correta (gabarito). A investigação inicial com EAS é adequada e, diante de alteração compatível, deve-se obter urocultura antes do antibiótico. Como a criança está estável e aceita líquidos, tratamento oral ambulatorial é apropriado, com reavaliação clínica e ajuste conforme a cultura.
C) Incorreta. Hemograma, hemocultura, internação e antibiótico parenteral representam abordagem excessiva para uma lactente bem perfundida, hidratada e sem sinais de sepse ou meningite.
D) Incorreta. O tratamento oral poderia ser adequado, mas hemograma e hemocultura não são exames obrigatórios de rotina nesse perfil clínico.