Insuficiência respiratória aguda e via aérea

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Questão 48
UERJ · 2021

Lactente de 3 meses é trazido para atendimento devido a quadro de “choro rouco” e “barulho ao respirar” há um mês. A família refere que aos 2 meses foi internado e tratado para laringite, com resposta parcial do quadro. Nega outros sintomas. Está em aleitamento materno exclusivo. O ganho de peso é adequado. Ao exame, lactente em bom estado geral, ativo e reativo, presença de estridor moderado, auscultas cardíaca e respiratória sem alterações. Sem esforço respiratório. Restante do exame físico sem alterações. A laringoscopia mostra presença de hemangioma subglótico.

A conduta terapêutica, nesse caso, é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Hemangioma infantil de via aérea é uma lesão de alto risco porque pode crescer rapidamente nos primeiros meses de vida e reduzir progressivamente o calibre subglótico. Estridor bifásico, tosse ou choro alterado e episódios tratados como laringite recorrente são apresentações típicas. A laringoscopia confirma o diagnóstico e define extensão.

A diretriz clínica da American Academy of Pediatrics para hemangioma infantil recomenda propranolol oral como primeira linha para hemangiomas que exigem tratamento sistêmico. A dose terapêutica usual situa-se em 2 a 3 mg/kg/dia, com titulação e monitorização clínica. O tratamento é mantido pelo menos por 6 meses e frequentemente até aproximadamente 12 meses de idade, o que torna a faixa de 4 a 12 meses oferecida na alternativa compatível com a lógica do item.

O propranolol deve ser administrado durante ou logo após alimentação. A dose deve ser suspensa temporariamente se houver jejum prolongado, vômitos ou baixa ingestão, para reduzir risco de hipoglicemia. Cirurgia, laser ou tratamento endoscópico ficam reservados para falha, contraindicação, resposta insuficiente ou obstrução que exija intervenção imediata.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Observação isolada é inadequada para hemangioma subglótico sintomático, pois a fase proliferativa pode causar obstrução progressiva de via aérea.

B) Incorreta. Ressecção cirúrgica não é primeira escolha quando o paciente está estável e há alta chance de resposta ao propranolol. Cirurgia pode ser necessária em casos refratários ou selecionados.

C) Incorreta. Corticosteroides foram utilizados antes da era do propranolol, mas deixaram de ser terapia de primeira linha. Além disso, duas semanas são insuficientes para acompanhar a fase proliferativa do hemangioma.

D) Correta (gabarito). Propranolol é tratamento sistêmico de primeira linha para hemangioma infantil sintomático de via aérea e deve ser mantido por meses para reduzir risco de rebote durante a fase proliferativa.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: estridor recorrente em lactente com hemangioma subglótico não é caso para observar.

  • Propranolol é a primeira linha e substituiu corticosteroide sistêmico na maioria dos casos.

  • Dê com alimentação e suspenda temporariamente em jejum ou vômitos pelo risco de hipoglicemia.

  • Lesões de via aérea são hemangiomas de alto risco e requerem seguimento especializado.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Insuficiência respiratória aguda e via aérea” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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