O trabalho de parto e o parto são fenômenos fisiológicos, mas passíveis da ocorrência de eventos complicadores e consequentes desfechos adversos, sendo um dos pilares da boa prática obstétrica a adequada assistência ao parto.
Pegadinha central: entre as opções, a rotina benéfica é uterotônico profilático; episiotomia, clampeamento precoce e acesso venoso universal não são rotinas.
OMS/FIGO/ICM 2025: oxitocina 10 UI IM ou IV é a opção de escolha para prevenção de hemorragia pós-parto.
Se já houver acesso venoso no parto vaginal, 10 UI IV diluídas e lentas em 1 a 2 minutos são preferidas à via IM.
Questões antigas podem citar administração após o ombro anterior; a formulação atual prefere profilaxia no pós-nascimento, durante o terceiro período.
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Contexto
Na assistência ao parto de risco habitual, intervenções rotineiras devem ser restritas às que apresentam benefício comprovado. As diretrizes consolidadas OMS/FIGO/ICM de 2025 recomendam um uterotônico de qualidade para prevenção da hemorragia pós-parto em todos os partos. Quando há várias opções disponíveis, ocitocina 10 UI por via intramuscular ou intravenosa é o uterotônico de escolha.
A recomendação atual situa a profilaxia uterotônica no terceiro período e descreve sua administração após o nascimento. A redação da alternativa C, com aplicação após a saída do ombro anterior, reflete uma formulação histórica do manejo ativo do terceiro período. Assim, o gabarito deve ser mantido porque a ocitocina profilática é a única intervenção rotineiramente recomendada entre as alternativas, mas o momento específico após o ombro anterior não corresponde à forma atual preferida de enunciar a recomendação.
As mesmas diretrizes desaconselham episiotomia rotineira. O clampeamento tardio do cordão é preferido em recém-nascido vigoroso, em geral não antes de 1 minuto após o nascimento. Também não se deve estabelecer acesso venoso rotineiramente em toda parturiente de baixo risco apenas para administrar ocitocina; se já houver acesso venoso, a OMS recomenda 10 UI IV diluídas e administradas lentamente em 1 a 2 minutos, em preferência à via intramuscular.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Clampeamento precoce do cordão não é recomendado como rotina. Em recém-nascido vigoroso, a recomendação é clampeamento tardio, geralmente após pelo menos 1 minuto.
B) Incorreta. Episiotomia não deve ser feita de maneira liberal ou rotineira no segundo período. É procedimento seletivo, indicado apenas quando houver justificativa obstétrica específica.
C) Correta (gabarito). A ocitocina profilática é intervenção rotineira recomendada para prevenção de hemorragia pós-parto e reduz atonia uterina e sangramento. A ressalva é que a recomendação atual é administrar o uterotônico após o nascimento, e não vincular obrigatoriamente a dose à saída do ombro anterior.
D) Incorreta. Acesso venoso preventivo não precisa ser instalado rotineiramente em toda parturiente de risco habitual apenas por eventual necessidade de medicação. A própria recomendação atual de ocitocina IV especifica preferência pela via intravenosa quando o acesso já existe por outra indicação.