Mulher de 51 anos foi submetida, há quatro semanas, a colecistectomia videolaparoscópica para tratamento de colelitíase sintomática. Evoluiu com quadro de icterícia progressiva e desconforto abdominal. Foi realizada colangiorressonância, que mostrou importante dilatação das vias biliares intra-hepáticas, associada à obstrução do ducto hepático comum, situada a 1cm da confluência dos ductos hepáticos direito e esquerdo, sugestiva de lesão iatrogênica das vias biliares.
Pegadinha central: Strasberg E2 significa lesão a menos de 2 cm da confluência; 1 cm fecha a resposta.
E3 toca a confluência, mas a mantém comunicante; E4 destrói a confluência e separa direita de esquerda.
Lesões E são grandes lesões biliares e devem ser encaminhadas precocemente para equipe com experiência hepatobiliopancreática.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Lesões iatrogênicas da via biliar após colecistectomia podem se manifestar por fístula biliar, dor, febre ou, como neste caso, por obstrução com icterícia e dilatação das vias intra-hepáticas. A classificação de Strasberg organiza essas lesões pela anatomia. Os tipos A a D representam principalmente vazamentos, oclusões aberrantes ou lesões laterais; os tipos E correspondem a lesões maiores do ducto hepático principal e reproduzem a lógica da classificação de Bismuth.
O detalhe que fecha a questão é a distância entre a lesão e a confluência dos ductos hepáticos direito e esquerdo. A obstrução está a 1 cm da confluência. Na classificação de Strasberg, E1 fica a 2 cm ou mais da confluência, enquanto E2 fica a menos de 2 cm. As diretrizes WSES sobre lesões biliares após colecistectomia utilizam essa classificação para descrição anatômica e planejamento terapêutico.
Lesões E são consideradas lesões maiores. Quando há perda de continuidade importante, a reconstrução costuma exigir anastomose bilioentérica, frequentemente hepaticojejunostomia em Y de Roux, idealmente realizada por equipe hepatobiliopancreática experiente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A obstrução está a 1 cm da confluência, portanto a menos de 2 cm, critério anatômico de Strasberg E2.
B) Incorreta. E3 é a lesão ao nível da confluência, mas com comunicação preservada entre os sistemas hepáticos direito e esquerdo. O enunciado localiza a lesão abaixo da confluência.
C) Incorreta. E4 implica destruição da confluência e separação entre os ductos hepáticos direito e esquerdo, quadro anatomicamente mais alto e mais complexo.
D) Incorreta. E5 exige envolvimento de um ducto setorial direito aberrante associado a lesão da via biliar principal, achado não descrito no caso.