Delirium, demência e polifarmácia no idoso

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Questão 49
UERJ · 2021

Idoso de 87 anos, acamado após fratura do fêmur, reside com filha de 65 anos e recebe a visita domiciliar de equipe de saúde da Clínica de Família. Após anamnese e exame físico completo, o médico se mostra preocupado pelo risco aumentado de efeitos colaterais aos medicamentos em uso pelo paciente.

As condições mais prováveis de causar reações adversas nos idosos são:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Idosos apresentam maior risco de reação adversa a medicamentos por alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas à idade, redução da reserva renal e hepática, multimorbidade, fragilidade e maior exposição a fármacos. O fator modificável mais importante entre as alternativas é a polifarmácia, porque aumenta interações medicamentosas, duplicidades, erros de uso e exposição a medicamentos potencialmente inapropriados.

Os Critérios de Beers da American Geriatrics Society de 2023 permanecem referência para identificar medicamentos e combinações que exigem cautela em idosos. Insuficiência cardíaca merece atenção especial porque o paciente frequentemente utiliza vários medicamentos e pode apresentar função renal variável, distúrbios eletrolíticos, hipotensão e maior vulnerabilidade a drogas que retêm sódio ou deprimem função cardíaca.

Polifarmácia costuma ser operacionalmente definida como uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, embora o número isolado não determine inadequação. O objetivo é revisar indicação, dose, função renal, interações e benefício real de cada fármaco, evitando tanto prescrição excessiva quanto retirada indiscriminada de terapias que reduzem mortalidade.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Diabetes pode exigir múltiplas drogas e aumentar complexidade terapêutica, mas má adesão causa principalmente falha de eficácia ou uso irregular. Não é o conjunto que melhor representa risco farmacológico de reação adversa entre as opções.

B) Incorreta. Álcool pode interagir com medicamentos e merece avaliação, mas hipertensão isolada é extremamente comum e não é, entre as combinações apresentadas, o maior marcador de risco de eventos adversos.

C) Correta (gabarito). Insuficiência cardíaca envolve maior vulnerabilidade hemodinâmica, renal e eletrolítica e frequentemente exige polifarmácia, combinação que aumenta substancialmente o risco de interações e reações adversas.

D) Incorreta. Maus-tratos precisam de investigação e proteção imediata, mas não representam diretamente um determinante farmacológico de reação adversa. Transtorno de ansiedade pode aumentar uso de psicotrópicos, porém a alternativa não descreve polifarmácia ou interação específica.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: em geriatria, polifarmácia é um dos maiores amplificadores de eventos adversos.

  • Revise sempre função renal, duplicidades, interações e medicamentos potencialmente inapropriados.

  • Insuficiência cardíaca aumenta vulnerabilidade a hipotensão, distúrbios eletrolíticos e piora renal induzidos por fármacos.

  • Beers não é lista de proibições absolutas; é ferramenta para individualizar risco e benefício.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Delirium, demência e polifarmácia no idoso” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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