Diabetes mellitus: diagnóstico e tratamento

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Questão 52
UERJ · 2021

Mulher de 61 anos, tabagista de 15 maços/ano, com diabetes há 15 anos e hipertensão arterial há 10 anos, relata dor e edema de tornozelos e falta de ar ao caminhar e subir escadas. Ao exame físico: PA = 160x90mmHg; SO2 = 98%; IMC = 26; cintura abdominal = 0,90cm. Apresentou na consulta os seguintes exames: glicemia = 132mg/dL; HbA1c = 7,6%; creatinina = 1,1mg/dL; ácido úrico = 5,8mg/dL; colesterol = 216mg/dL; LDL = 140mg/dL, triglicerídeos = 230mg/dL; HDL = 35mg/dL; ecocardiograma com disfunção ventricular esquerda, fração de ejeção = 46%; TFG = 60mL/min/1,73 e presença de microalbuminúria.

Com base nesses dados, é correto afirmar que a paciente apresenta:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente tem 61 anos, diabetes, hipertensão, dislipidemia, sintomas compatíveis com insuficiência cardíaca, fração de ejeção de 46%, TFG de 60 mL/min/1,73 m² e albuminúria. Há vários conceitos diferentes no item e a melhor resposta depende de separar critérios atuais de rim, coração e controle glicêmico.

Em doença renal crônica, albuminúria já constitui marcador de dano renal mesmo quando a TFG está relativamente preservada. Uma TFG de 60 mL/min/1,73 m² fica na fronteira entre G2 e G3a conforme persistência e arredondamento, mas não se pode dizer que não exista dano renal diante de microalbuminúria persistente.

Quanto à insuficiência cardíaca, a classificação AHA/ACC/HFSA define fração de ejeção reduzida como até 40%, levemente reduzida como 41% a 49% e preservada como 50% ou mais. Assim, FE de 46% corresponde a insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida, e não à categoria clássica de fração reduzida.

O gabarito oficial considera HbA1c de 7,6% aceitável por individualização da meta. Há uma ressalva importante frente ao Standards of Care in Diabetes da ADA de 2026: para muitos adultos não gestantes a meta é HbA1c abaixo de 7%, e metas menos rígidas, como abaixo de 8%, são reservadas a situações em que comorbidades graves, fragilidade, limitações cognitivas ou funcionais e risco terapêutico tornem o controle intensivo menos vantajoso. Aos 61 anos, sem descrição de fragilidade ou limitação funcional, 7,6% não deve ser considerada automaticamente dentro da meta atual. O item é melhor entendido como questão histórica de individualização de metas e exclusão das demais alternativas.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A afirmação de ausência de dano renal está errada, pois microalbuminúria persistente é marcador de lesão renal e tem valor prognóstico cardiovascular e renal.

B) Correta (gabarito). O gabarito da prova adota uma meta individualizada menos estrita e considera HbA1c de 7,6% aceitável nesse perfil clínico. Pelos critérios ADA 2026, porém, esse valor não estaria automaticamente dentro da meta em uma pessoa de 61 anos sem fragilidade ou limitação funcional descrita; a meta deve ser individualizada e frequentemente permanece abaixo de 7%.

C) Incorreta. Ácido úrico de 5,8 mg/dL não caracteriza hiperuricemia. A paciente possui vários componentes cardiometabólicos relevantes, mas a primeira parte da alternativa já a torna incorreta.

D) Incorreta. Fração de ejeção de 46% não é classificada atualmente como insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Ela se enquadra em fração de ejeção levemente reduzida, de 41% a 49%.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: FE 46% é insuficiência cardíaca com fração levemente reduzida, não HFrEF clássica.

  • Albuminúria é dano renal mesmo com TFG relativamente preservada.

  • ADA 2026: HbA1c abaixo de 7% continua adequada para muitos adultos; metas próximas de 8% exigem justificativa clínica para menor rigor.

  • Quando um gabarito antigo disser que 7,6% está automaticamente na meta apenas pela idade, confira se há fragilidade, comorbidade grave ou limitação funcional que justifique essa flexibilização.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Diabetes mellitus: diagnóstico e tratamento” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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