Jovem de 24 anos, com amenorreia secundária há sete meses, realizou beta-HCG com resultado negativo. O cariótipo está normal e a ultrassonografia transvaginal evidenciou útero de volume normal e ovários de aspecto habitual com volume reduzido. O resultado da dosagem de prolactina foi normal e a dosagem de FSH foi de 74mUI/mL.
Pegadinha central: amenorreia mais FSH muito alto significa falência ovariana, não anovulação hipotalâmica ou SOP.
Critério atual de insuficiência ovariana prematura: menos de 40 anos, alteração menstrual por pelo menos 4 meses e FSH acima de 25 UI/L.
Diretrizes atuais não exigem obrigatoriamente duas dosagens alteradas; repita em 4 a 6 semanas quando houver dúvida.
Insuficiência ovariana prematura não significa ausência absoluta e definitiva de atividade ovariana, podendo ocorrer ovulação intermitente.
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Contexto
A primeira etapa na amenorreia secundária é excluir gestação, o que já foi feito. Prolactina normal reduz a probabilidade de hiperprolactinemia, e a presença de útero afasta causas por ausência congênita uterina. O achado decisivo é o FSH de 74 mUI/mL em uma mulher de 24 anos com sete meses de amenorreia: trata-se de hipogonadismo hipergonadotrófico, indicando falha da função folicular ovariana.
A diretriz internacional baseada em evidências para insuficiência ovariana prematura, publicada por ESHRE/ASRM em 2024 e atualizada na versão ASRM 2025, define insuficiência ovariana prematura como perda da atividade ovariana antes dos 40 anos. Os critérios atuais são ciclos irregulares ou amenorreia por pelo menos 4 meses e FSH maior que 25 UI/L. Uma única dosagem elevada pode estabelecer o diagnóstico quando o quadro é claro; recomenda-se repetir o FSH após 4 a 6 semanas se houver incerteza diagnóstica.
FSH muito alto ocorre porque a redução de folículos diminui estradiol e inibina, retirando a retroalimentação negativa sobre a hipófise. O resultado é elevação compensatória das gonadotrofinas. Depois de confirmar o diagnóstico, deve-se investigar a etiologia conforme o contexto, incluindo causas genéticas, autoimunes e iatrogênicas, além de avaliar saúde óssea e cardiovascular.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Amenorreia por sete meses antes dos 40 anos e FSH de 74 mUI/mL excedem amplamente o ponto de corte atual de 25 UI/L e caracterizam insuficiência ovariana prematura.
B) Incorreta. Anovulação crônica, como na síndrome dos ovários policísticos, costuma apresentar FSH normal ou baixo-normal, não hipergonadotropismo intenso. Ovários de pequeno volume também não sugerem o fenótipo típico de SOP.
C) Incorreta. Hímen imperfurado causa obstrução da saída menstrual e se apresenta como amenorreia primária, frequentemente com dor cíclica e hematocolpo. Esta paciente já menstruava anteriormente.
D) Incorreta. Anorexia nervosa produz supressão hipotalâmica do GnRH, levando a hipogonadismo hipogonadotrófico com FSH e LH baixos ou inapropriadamente normais.