Criança de 2 anos é levada para atendimento com quadro de febre diária há oito dias e irritabilidade. O pai refere aparecimento de alterações em boca, mãos e pés ao longo desse período. Ao exame físico, a criança está em regular estado geral, irritada, hipocorada, hidratada, apresenta hiperemia conjuntival bilateral, língua em framboesa, edema de mãos e pés e linfonodo cervical palpável à direita (2cm). Ausculta cardíaca e respiratória normais. Abdômen indolor, fígado palpável a 3cm do rebordo costal direito. Os exames complementares mostram: 20.000 leucócitos (80% neutrófilos), Hgb = 10g/dL, VCM = 74, plaquetas = 600.000/mm3, VHS = 60mm, albumina = 2g/dL.
Pegadinha central: Kawasaki é vasculite de coronária; o tratamento que muda prognóstico é IVIG.
Esquema clássico: IVIG 2 g/kg em dose única, preferencialmente até o 10º dia.
Trombocitose costuma aparecer na fase subaguda e hipoalbuminemia sugere inflamação importante.
Ecocardiograma deve acompanhar dimensões coronarianas por Z-score.
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Contexto
A criança apresenta febre por 8 dias acompanhada de conjuntivite bilateral não purulenta, língua em framboesa, alterações de extremidades e linfonodo cervical de 2 cm. Esse conjunto preenche critérios clínicos de doença de Kawasaki completa. Trombocitose, neutrofilia, anemia, VHS elevado e hipoalbuminemia reforçam inflamação sistêmica.
A American Heart Association atualizou em 2024 suas recomendações e mantém a imunoglobulina intravenosa como base do tratamento. O esquema clássico é IVIG 2 g/kg em dose única, administrada idealmente nos primeiros 10 dias de doença, associada a ácido acetilsalicílico conforme protocolo. Pacientes de alto risco podem se beneficiar de terapia anti-inflamatória intensificada, como corticosteroide ou infliximabe, além da IVIG.
A complicação que determina prognóstico é o acometimento coronariano. Sem tratamento, aproximadamente um quarto das crianças pode desenvolver dilatação ou aneurisma coronariano; IVIG precoce reduz substancialmente esse risco. O acompanhamento deve incluir ecocardiograma e mensuração de Z-score coronariano.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Aciclovir trata infecções herpéticas e não tem papel na doença de Kawasaki. Encefalite não é a complicação tardia característica que define o prognóstico da doença.
B) Incorreta. Amoxicilina não trata a vasculite de Kawasaki e síndrome nefrítica não é a principal complicação tardia.
C) Incorreta. Hipoalbuminemia é um marcador de inflamação e maior gravidade, mas infusão de albumina não substitui o tratamento imunomodulador. Insuficiência valvar pode ocorrer em situações cardíacas específicas, porém não é a complicação tardia clássica cobrada.
D) Correta (gabarito). IVIG é o tratamento central e reduz a incidência de aneurismas coronarianos, principal complicação cardiovascular da doença de Kawasaki.