Idoso de 76 anos procura o pronto-socorro com “falta de ar” e muito agitado, informando já ter apresentado episódios anteriores. O médico avalia que não há presença de hipóxia (SO2 = 97%). O paciente tem DPOC, utiliza corticoides por via oral, não está dormindo bem e não consegue concentrar-se durante o dia. Após ser perguntado sobre fatores estressantes, informa que soube da morte de seu primo no dia anterior, que o deixou bastante triste.
Pegadinha central: dispneia em paciente com DPOC não significa automaticamente exacerbação grave; procure hipóxia, infecção e sinais objetivos de descompensação.
Benzodiazepínicos em idosos aumentam risco de quedas, delirium e depressão respiratória.
DPOC estável se beneficia de exercício e reabilitação, não de repouso permanente.
Corticoide oral é estratégia curta em exacerbações selecionadas, não manutenção crônica.
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Contexto
O paciente tem DPOC, mas chega com saturação de 97% e sofrimento emocional agudo após luto, além de agitação, insônia e dificuldade de concentração. A avaliação inicial deve excluir exacerbação respiratória, infecção, insuficiência cardíaca e outras causas orgânicas de dispneia. Na ausência de hipóxia e de outros sinais de falência respiratória, a abordagem pode combinar tratamento broncodilatador conforme sintomas e suporte psicossocial.
Benzodiazepínicos exigem cautela especial em idosos com DPOC porque podem causar sedação, delirium, quedas e depressão ventilatória, sobretudo quando associados a outras drogas depressoras do sistema nervoso central. Também não devem substituir manejo de luto, ansiedade ou insônia por estratégias não farmacológicas quando o quadro permite.
Corticosteroide oral sistêmico pode ser usado por período curto em exacerbações selecionadas de DPOC, mas não é tratamento de manutenção crônica de rotina devido a efeitos adversos como osteoporose, diabetes, miopatia, infecção e supressão adrenal. Atividade física e reabilitação pulmonar, por outro lado, melhoram capacidade funcional e qualidade de vida em pacientes estáveis.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Broncodilatador pode aliviar sintomas respiratórios, mas benzodiazepínico não deve ser introduzido rotineiramente em idoso com DPOC e agitação relacionada a luto, pois aumenta risco de sedação, quedas, delirium e depressão respiratória.
B) Correta (gabarito). Associa manejo sintomático respiratório com broncodilatador a psicoeducação e suporte ao paciente e à família, coerente com a ausência de hipóxia e com o gatilho emocional evidente.
C) Incorreta. Atividade física não é contraindicada no DPOC estável. Exercício e reabilitação pulmonar são estratégias importantes para reduzir dispneia aos esforços e melhorar tolerância funcional.
D) Incorreta. Corticosteroide sistêmico crônico não é tratamento de escolha para alívio rotineiro da DPOC estável e expõe o idoso a toxicidade relevante.