Mulher de 32 anos, com história de febre vespertina, astenia, cefaleia, sudorese, perda de peso e diminuição da acuidade visual à esquerda, evolui com diminuição dos pulsos e claudicação intermitente no braço esquerdo após pequenos esforços e aumento da pressão arterial no braço direito. O exame de sangue apresenta leucocitose, VHS = 100mm/h e PCR = 20mg/L.
Pegadinha central: jovem com braço claudicante, pulso reduzido e diferença de pressão entre membros, pense em Takayasu.
Takayasu acomete aorta e grandes ramos; arterite de células gigantes é doença típica de maiores de 50 anos.
Imagem não invasiva, especialmente angioRM ou angioTC, substituiu a arteriografia diagnóstica na maior parte dos casos.
Marcadores inflamatórios ajudam no contexto, mas atividade vascular pode existir mesmo com sintomas ou exames laboratoriais pouco expressivos.
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Contexto
O caso reúne duas fases clássicas da arterite de Takayasu. Primeiro aparecem sintomas inflamatórios sistêmicos, como febre, astenia, sudorese, perda ponderal e elevação acentuada de VHS e PCR. Depois surgem sinais de isquemia por estenose de grandes artérias: claudicação de membro superior, redução de pulsos e diferença de pressão arterial entre os braços. A redução da acuidade visual pode ocorrer por comprometimento vascular associado.
Takayasu é uma vasculite granulomatosa de grandes vasos que acomete principalmente a aorta e seus principais ramos. O perfil de mulher jovem com doença inflamatória e assimetria de pulsos é altamente característico. As recomendações ACR/Vasculitis Foundation de 2021 favorecem imagem vascular não invasiva, como angioRM, angioTC ou PET, em vez de arteriografia invasiva para avaliação rotineira. A angioRM é especialmente útil porque demonstra estenoses, oclusões, dilatações e alterações da parede vascular sem radiação ionizante.
A arteriografia convencional ainda pode ser necessária para planejamento de intervenção, medida hemodinâmica ou quando os exames não invasivos são insuficientes, mas não é a primeira escolha apenas para elucidação diagnóstica em uma paciente típica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Arterite de células gigantes, ou arterite temporal, ocorre quase exclusivamente após os 50 anos. A paciente tem 32 anos e apresenta síndrome de grandes vasos com claudicação de braço e pulso diminuído, perfil muito mais compatível com Takayasu.
B) Incorreta. Aortite infecciosa pode causar febre e inflamação, mas costuma estar associada a bacteremia, foco infeccioso, aneurisma ou complicações focais. Não explica tão bem a evolução típica com assimetria de pulsos e claudicação em mulher jovem. Além disso, arteriografia invasiva não é o exame inicial preferido para Takayasu.
C) Correta (gabarito). Mulher jovem, marcadores inflamatórios altos, claudicação de membro superior, diminuição de pulsos e diferença pressórica constituem o padrão clássico de arterite de Takayasu. A angioRM é exame apropriado para mapear a aorta e seus ramos.
D) Incorreta. Displasia fibromuscular é uma arteriopatia não inflamatória, frequentemente envolvendo artérias renais e cervicais. Pode causar hipertensão ou eventos cerebrovasculares, mas não costuma produzir febre, perda ponderal, VHS de 100 mm/h e PCR elevada.