Menino de 1 ano e 10 meses é levado à consulta ambulatorial pelos responsáveis. Estes se queixam de que ele apresenta comportamento estranho. Os responsáveis relatam que o filho parece não se importar com eles, que seu comportamento é aéreo, não sorri, nem faz contato visual; quando chamado pelo nome não responde, apesar de parecer ser sensível a sons altos. Segundo eles, o menino não se interessa por outras crianças, nem demonstra suas vontades, apontando para objetos ou verbalizando seus desejos. Devido à suspeita de déficit auditivo, foi realizada uma audiometria infantil comportamental, que teve resultado normal. Na avaliação do desenvolvimento, houve atraso nos eixos pessoal-social e linguagem pela escala de Denver-II e escore de 10 pontos pela escala M-CHAT-R/F.
Pegadinha central: suspeita de TEA não é conduta expectante; encaminhe e intervenha cedo.
M-CHAT-R/F de 8 a 20 é faixa de alto risco e permite encaminhamento imediato.
Ausência de apontar, de resposta ao nome e de contato visual aos 18 a 24 meses são sinais de alerta de alto rendimento.
Audiometria normal ajuda a afastar perda auditiva como explicação isolada para atraso de linguagem e pouca resposta ao chamado.
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Contexto
A criança tem 22 meses, idade apropriada para rastreamento de transtorno do espectro autista. O quadro reúne déficits centrais de comunicação social: ausência de contato visual, pouca reciprocidade, não responder ao nome, ausência de gestos declarativos como apontar, falta de interesse por outras crianças e atraso importante de linguagem. Audição normal reduz a chance de perda auditiva explicar o conjunto.
O M-CHAT-R/F é validado para crianças de 16 a 30 meses. Segundo a American Academy of Pediatrics, escore igual ou superior a 8 indica alto risco e justifica encaminhamento imediato para avaliação diagnóstica e intervenção, sem necessidade de aguardar nova triagem. Um escore de 10, portanto, reforça fortemente a suspeita de TEA ou de outro transtorno do neurodesenvolvimento relevante.
O diagnóstico de TEA é clínico e pode ser estabelecido antes dos 2 anos por equipe experiente quando os sinais são claros. Não se deve aguardar 36 meses nem idade escolar para iniciar avaliação. Também não é necessário esperar o diagnóstico definitivo para começar intervenções dirigidas aos atrasos já demonstrados, como estimulação de comunicação, interação e desenvolvimento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O fenótipo é de prejuízo de comunicação social e reciprocidade, não de TDAH. Metilfenidato não deve ser iniciado para tratar esse quadro em uma criança de 22 meses.
B) Correta (gabarito). O conjunto clínico e o M-CHAT-R/F de 10 pontos indicam alto risco para TEA e exigem avaliação especializada precoce. Neuropediatria é uma via adequada de encaminhamento, idealmente articulada com equipe multiprofissional e intervenção do desenvolvimento.
C) Incorreta. O diagnóstico sugerido está errado e não se deve aguardar até 6 anos diante de sinais tão claros de alteração do neurodesenvolvimento.
D) Incorreta. O diagnóstico proposto é plausível, mas a conduta é inadequada. Não existe motivo para esperar até 36 meses para investigar e intervir.