Homem comparece à consulta com dor em arcos costais. A tomografia de tórax mostra lesões líticas e blásticas. A tomografia computadorizada de corpo inteiro não revela outras anormalidades. É feita biópsia de arco-costal com exame histopatológico da peça e análise imunoistoquímica.
Pegadinha central: em primário oculto, marcador amplamente expresso não é o mais útil para dizer de onde o tumor veio.
PSA aponta para próstata; em painéis modernos, NKX3.1 aumenta a sensibilidade e a especificidade para metástase prostática.
Tireoglobulina favorece neoplasia tireoidiana diferenciada de origem folicular; não é marcador universal de todo câncer de tireoide.
CEA ajuda a caracterizar adenocarcinomas, mas é pouco específico de sítio.
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Contexto
Na neoplasia de sítio primário desconhecido, a imunohistoquímica deve ser interpretada em etapas: primeiro define-se a linhagem tumoral e depois se usam marcadores orientados pela morfologia, pelo padrão CK7/CK20 e pelo contexto clínico para sugerir o tecido de origem. Diretrizes modernas para câncer de primário desconhecido recomendam esse uso progressivo de painéis, evitando pedir marcadores isolados sem hipótese morfológica.
Entre as alternativas, PSA e tireoglobulina são os marcadores mais ligados a tecidos específicos. PSA favorece origem prostática e tireoglobulina favorece carcinoma diferenciado derivado de célula folicular da tireoide. Nenhum marcador isolado tem sensibilidade absoluta: tumores prostáticos pouco diferenciados ou tratados podem perder PSA, e carcinomas medulares ou anaplásicos da tireoide podem não expressar tireoglobulina. Na prática contemporânea, outros marcadores aumentam a precisão, como NKX3.1 para próstata e PAX8 associado a TTF-1 e tireoglobulina para tireoide.
CEA é um marcador amplo de diferenciação epitelial e pode ser expresso em adenocarcinomas de vários órgãos, portanto tem baixa especificidade para localizar o primário. Beta-hCG é útil no contexto de tumores germinativos e diferenciação trofoblástica, mas também não possui a especificidade anatômica de PSA ou tireoglobulina.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tireoglobulina é fortemente sugestiva de origem tireoidiana folicular, mas beta-hCG pode aparecer em tumores germinativos e em neoplasias com diferenciação trofoblástica, não sendo marcador de sítio tão específico.
B) Correta (gabarito). PSA e tireoglobulina são, entre as opções fornecidas, os marcadores mais específicos de origem tecidual, apontando respectivamente para próstata e tireoide de origem folicular.
C) Incorreta. Tanto beta-hCG quanto CEA têm menor especificidade anatômica. CEA pode ser expresso em múltiplos adenocarcinomas e não define sozinho o órgão de origem.
D) Incorreta. PSA é um marcador útil para origem prostática, mas CEA é inespecífico. A combinação é inferior a PSA com tireoglobulina quando o enunciado pergunta pelos marcadores mais específicos.