Pegadinha central: McVay lembra ligamento de Cooper e reparo femoral.
Hérnia femoral tem alto risco de estrangulamento e deve receber tratamento cirúrgico urgente quando complicada.
Atualização de prova: ressecção intestinal sem contaminação grosseira não contraindica necessariamente tela; HerniaSurge 2023 admite tela macroporosa em campo limpo-contaminado.
Na presença de pus, perfuração com contaminação fecal ou campo francamente contaminado, a estratégia protética deve ser muito mais cautelosa.
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Contexto
A hérnia femoral atravessa o canal femoral, abaixo do ligamento inguinal, e apresenta risco proporcionalmente alto de encarceramento e estrangulamento por causa do colo estreito. Quando há necrose intestinal, a prioridade é operação imediata, avaliação da viabilidade, ressecção do segmento inviável e reparo do defeito herniário.
A técnica de McVay, ou reparo pelo ligamento de Cooper, é um reparo tecidual clássico que aproxima estruturas da parede posterior ao ligamento de Cooper e permite fechar o canal femoral. Por isso, nas classificações cirúrgicas tradicionais, McVay é a técnica de reparo tecidual especificamente associada à hérnia femoral. Bassini e Shouldice são técnicas clássicas para hérnia inguinal, enquanto Lichtenstein é um reparo inguinal aberto com tela.
Existe uma atualização importante em relação ao fundamento histórico da questão. A atualização internacional HerniaSurge de 2023 afirma que, em hérnia inguinal ou femoral estrangulada com ressecção intestinal e campo apenas limpo-contaminado, uma tela macroporosa de polipropileno pode ser utilizada, embora a recomendação seja fraca pela baixa qualidade da evidência. Assim, necrose intestinal sem pus ou contaminação fecal não torna a tela automaticamente proibida. O gabarito A permanece porque, entre as técnicas listadas, McVay é o reparo tecidual clássico direcionado ao defeito femoral e reflete o ensino tradicional da questão.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). McVay utiliza o ligamento de Cooper e permite correção anatômica do canal femoral sem necessidade obrigatória de prótese. É a técnica clássica esperada pela prova para hérnia femoral estrangulada com necessidade de ressecção intestinal.
B) Incorreta. Bassini reconstrói principalmente a parede posterior do canal inguinal e não é a técnica clássica específica para fechamento do defeito femoral.
C) Incorreta. Shouldice é uma reconstrução tecidual em múltiplos planos voltada à hérnia inguinal. Não é a resposta clássica para hérnia femoral.
D) Incorreta. Lichtenstein é um reparo inguinal aberto com tela e não corresponde à técnica tecidual clássica para o canal femoral. Além disso, a questão foi construída sob a lógica antiga de evitar prótese quando há ressecção intestinal. Pela diretriz atual, essa proibição não é absoluta em campo limpo-contaminado.