Mulher procura o médico com queixas de diarreia com muco, pus e sangue. Refere uso de antibiótico há 20 dias para tratar infecção respiratória, mas não lembra o nome da medicação. O médico suspeita de colite pseudomembranosa.
Pegadinha central: a banca quer fluoroquinolona pela associação histórica com a cepa epidêmica 027, não porque seja o único antibiótico de risco.
Antibióticos de alto risco incluem clindamicina, cefalosporinas avançadas, fluoroquinolonas e carbapenêmicos.
Diarreia após antibiótico não basta para diagnóstico; teste deve ser solicitado apenas em paciente com quadro clínico compatível.
O termo pseudomembranosa descreve uma apresentação de C. difficile, mas pseudomembranas não são obrigatórias para o diagnóstico.
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Contexto
O quadro sugere infecção por Clostridioides difficile após exposição a antibiótico. O mecanismo central é disbiose do cólon: o antimicrobiano reduz a resistência da microbiota, permitindo expansão de C. difficile e ação de suas toxinas, com inflamação, secreção, necrose epitelial e, nos casos clássicos, pseudomembranas.
Praticamente qualquer antibiótico pode predispor à infecção, mas alguns grupos são de maior risco. Entre eles estão clindamicina, cefalosporinas de terceira e quarta gerações, fluoroquinolonas e carbapenêmicos. As fluoroquinolonas ganharam destaque epidemiológico com a disseminação do ribotipo hipervirulento 027, também conhecido historicamente como NAP1/BI/027, que apresentava resistência elevada a essa classe. É esse recorte histórico que a questão explora ao perguntar pela classe mais recentemente relacionada.
Na prática atual, não se usa a ideia de uma única classe mais recentemente associada. A exposição antibiótica recente, a idade, hospitalização, doença grave e contato com ambiente de saúde compõem o risco. O diagnóstico deve ser feito em paciente com diarreia clinicamente compatível usando estratégia laboratorial apropriada para toxina e/ou teste molecular, e não pela simples história de antibiótico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Penicilinas de amplo espectro combinadas a inibidor de betalactamase podem causar C. difficile, mas não são a associação epidemiológica histórica enfatizada pelo item.
B) Incorreta. Carbapenêmicos alteram intensamente a microbiota e estão entre classes de risco elevado, porém não correspondem ao recorte de surgimento de cepas epidêmicas resistentes que a questão pretende cobrar.
C) Incorreta. Macrolídeos podem preceder infecção por C. difficile, mas a associação é menos característica do que com fluoroquinolonas, clindamicina, cefalosporinas avançadas e carbapenêmicos.
D) Correta (gabarito). Fluoroquinolonas tornaram-se um fator de risco de grande destaque com a emergência do ribotipo 027 resistente a essa classe, explicando a formulação histórica da questão.