Mulher de 62 anos procura atendimento médico referindo, há vários meses, dor no pescoço, nas costas, nos joelhos, além de mal-estar, fadiga e formigamento nas mãos. As queixas não apresentam relação com atividade física, mas pioram durante tempo frio. Acorda quase todos os dias com essas dores, com a sensação de não ter dormido bem e sentindo cansaço, o que atrapalha o seu trabalho. As articulações apresentam movimentos normais, mas com crepitações grosseiras nos joelhos e nas mãos, nas quais é possível observar os nódulos de Heberden e Bouchard.
A pegadinha é deixar os nódulos de Heberden e Bouchard dominarem o raciocínio; eles mostram osteoartrite coexistente, mas não explicam o núcleo sistêmico dos sintomas.
Dor difusa + fadiga + sono não reparador forma o tripé clássico da fibromialgia.
Exercício e educação são a base; duloxetina é adjuvante, não substituto do tratamento não farmacológico.
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Contexto
A paciente tem achados objetivos de osteoartrite nas mãos e joelhos, como nódulos de Heberden e Bouchard e crepitações. Entretanto, a pergunta solicita a doença que explica a maioria dos sintomas: dor difusa em pescoço, dorso e múltiplas regiões, fadiga, parestesias, sono não reparador e prejuízo funcional, sem relação mecânica clara e sem limitação articular. Esse eixo é típico de fibromialgia, que pode coexistir com osteoartrite.
Fibromialgia é uma síndrome de amplificação do processamento nociceptivo, sem sinovite ou lesão estrutural que justifique toda a intensidade dos sintomas. O tratamento deve começar por educação, atividade física graduada, manejo do sono e comorbidades. Duloxetina, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, é opção farmacológica para dor difusa, sobretudo quando há impacto funcional, sintomas ansiosos ou depressivos. As recomendações EULAR colocam intervenções não farmacológicas como base e reservam medicamentos para tratamento individualizado.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Apesar da expressão imprecisa fibromialgia reumática, a alternativa descreve fibromialgia. Dor crônica difusa, fadiga, parestesias e sono não reparador predominam no caso, e duloxetina é uma opção terapêutica reconhecida.
B) Incorreta. Osteoartrite explica os nódulos e as crepitações, mas sua dor costuma ser mecânica, piora com uso e melhora com repouso. Ela não explica adequadamente sono não reparador, fadiga difusa e dor axial disseminada. Glucosamina não é tratamento de eficácia consistente nem a melhor resposta para o conjunto apresentado.
C) Incorreta. Polimialgia reumática ocorre após os 50 anos, com dor e rigidez matinal marcantes em cinturas escapular e pélvica e elevação de marcadores inflamatórios. Parestesias, sono não reparador e dor difusa sem rigidez de cinturas não formam o padrão típico.
D) Incorreta. Artrite reumatoide exige sinovite inflamatória, geralmente simétrica, com edema, calor, dor à mobilização e rigidez matinal prolongada. Os movimentos estão preservados e os nódulos de Heberden e Bouchard são de osteoartrite, não de artrite reumatoide.