Recém-nascido de mãe sem acompanhamento pré-natal apresenta hepatoesplenomegalia, erupções cutâneas petequiais, icterícia e microcefalia ao nascimento. Encaminhado à UTI neonatal devido à gravidade, apresenta, aos exames laboratoriais, hiperbilirrubinemia direta, elevação de transaminases hepáticas e trombocitopenia. A ultrassonografia transfontanela evidencia calcificações periventriculares.
A pegadinha é escolher a sequela neurológica mais dramática; na citomegalovirose congênita, a sequela clássica e mais comum é auditiva.
Calcificação periventricular lembra citomegalovírus; calcificações difusas com hidrocefalia lembram toxoplasmose.
Triagem auditiva normal ao nascer não encerra o acompanhamento, porque a perda pode ser tardia e progressiva.
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Contexto
O conjunto de petequias, icterícia colestática, hepatoesplenomegalia, trombocitopenia, microcefalia e calcificações periventriculares caracteriza citomegalovirose congênita sintomática. O citomegalovírus infecta células em desenvolvimento, com tropismo pelo sistema nervoso central, fígado, medula óssea e ouvido interno. A distribuição periventricular das calcificações é uma pista importante para diferenciá-lo da toxoplasmose congênita, que costuma produzir calcificações intracranianas mais difusas.
A sequela de longo prazo mais frequente é a perda auditiva neurossensorial. Ela pode estar presente ao nascimento ou surgir meses e anos depois, além de ser unilateral, bilateral, flutuante ou progressiva. O CDC, em suas recomendações atuais sobre citomegalovírus congênito, orienta acompanhamento audiológico seriado mesmo quando a triagem auditiva neonatal é inicialmente normal.
O diagnóstico etiológico precisa ser confirmado por PCR em saliva, com confirmação em urina, ou diretamente em urina nas primeiras três semanas de vida. Após esse período, a detecção viral pode representar infecção pós-natal. Recém-nascidos sintomáticos, especialmente com acometimento do sistema nervoso central, devem ser avaliados precocemente para tratamento antiviral e seguimento auditivo, oftalmológico e do neurodesenvolvimento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Coriorretinite, atrofia óptica e deficiência visual podem ocorrer, mas cegueira não é a sequela tardia mais frequente da citomegalovirose congênita.
B) Incorreta. Convulsões podem surgir na fase neonatal ou posteriormente em crianças com lesão cerebral extensa, porém são menos comuns que a deficiência auditiva neurossensorial.
C) Correta (gabarito). A perda auditiva neurossensorial é a deficiência de longo prazo mais comum e pode aparecer tardiamente ou progredir, justificando vigilância audiológica continuada.
D) Incorreta. Deficiência intelectual e atraso do desenvolvimento são possíveis, sobretudo em doença sintomática com microcefalia, mas não superam a frequência da perda auditiva.