Sangramentos da segunda metade da gestação

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Questão 35
UERJ · 2022

Mulher de 42 anos, G6P4A1, sendo quatro partos vaginais, é atendida na 30a semana de gestação com queixa de sangramento vaginal, iniciado há uma hora, sem outras queixas. O exame físico revela metrossístoles ausentes, tônus uterino normal, BCF = 142bpm, feto em apresentação córmica. Exame especular evidencia colo sem lesões, orifício externo em fenda com sangramento moderado.

De acordo com a principal hipótese diagnóstica do caso, o exame complementar a ser solicitado é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Sangramento vaginal no terceiro trimestre, súbito, indolor, sem contrações e com tônus uterino normal é o padrão clássico de placenta prévia. A apresentação córmica reforça a hipótese porque a placenta no segmento inferior pode impedir o encaixe do polo fetal.

A ultrassonografia transvaginal é o exame mais preciso para medir a relação entre a borda placentária e o orifício interno do colo. É segura quando realizada adequadamente, pois o transdutor permanece na vagina e não atravessa o colo. O toque vaginal digital deve ser evitado até exclusão de placenta prévia, porque pode desencadear hemorragia intensa; o exame especular pode ser realizado com cautela para excluir lesões cervicais.

Placenta prévia recobre o orifício interno. Placenta de inserção baixa tem borda a menos de 20 mm do orifício, sem recobri-lo. Essa medida no fim da gestação orienta via e momento do parto.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Doppler das artérias umbilical e cerebral média avalia insuficiência placentária, anemia e bem-estar fetal. Não localiza adequadamente a borda placentária em relação ao colo.

B) Incorreta. Ressonância pode complementar suspeita de espectro de acretismo placentário, especialmente em placenta posterior ou ultrassonografia inconclusiva. Não é o primeiro exame para localizar placenta prévia.

C) Correta (gabarito). A ultrassonografia transvaginal confirma a localização placentária com maior precisão e segurança, sendo o exame de escolha para a hipótese apresentada.

D) Incorreta. Cardiotocografia deve avaliar vitalidade fetal no sangramento agudo, mas não identifica a causa anatômica do sangramento e não confirma placenta prévia.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é temer a via transvaginal: ela é segura; o procedimento perigoso é o toque digital antes de excluir placenta prévia.

  • Placenta prévia sangra sem dor e sem hipertonia; descolamento prematuro costuma causar dor e hipertonia.

  • Apresentação anômala no terceiro trimestre é pista adicional de placenta baixa.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Sangramentos da segunda metade da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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