Mulher de 42 anos, G6P4A1, sendo quatro partos vaginais, é atendida na 30a semana de gestação com queixa de sangramento vaginal, iniciado há uma hora, sem outras queixas. O exame físico revela metrossístoles ausentes, tônus uterino normal, BCF = 142bpm, feto em apresentação córmica. Exame especular evidencia colo sem lesões, orifício externo em fenda com sangramento moderado.
A pegadinha é temer a via transvaginal: ela é segura; o procedimento perigoso é o toque digital antes de excluir placenta prévia.
Placenta prévia sangra sem dor e sem hipertonia; descolamento prematuro costuma causar dor e hipertonia.
Apresentação anômala no terceiro trimestre é pista adicional de placenta baixa.
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Contexto
Sangramento vaginal no terceiro trimestre, súbito, indolor, sem contrações e com tônus uterino normal é o padrão clássico de placenta prévia. A apresentação córmica reforça a hipótese porque a placenta no segmento inferior pode impedir o encaixe do polo fetal.
A ultrassonografia transvaginal é o exame mais preciso para medir a relação entre a borda placentária e o orifício interno do colo. É segura quando realizada adequadamente, pois o transdutor permanece na vagina e não atravessa o colo. O toque vaginal digital deve ser evitado até exclusão de placenta prévia, porque pode desencadear hemorragia intensa; o exame especular pode ser realizado com cautela para excluir lesões cervicais.
Placenta prévia recobre o orifício interno. Placenta de inserção baixa tem borda a menos de 20 mm do orifício, sem recobri-lo. Essa medida no fim da gestação orienta via e momento do parto.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Doppler das artérias umbilical e cerebral média avalia insuficiência placentária, anemia e bem-estar fetal. Não localiza adequadamente a borda placentária em relação ao colo.
B) Incorreta. Ressonância pode complementar suspeita de espectro de acretismo placentário, especialmente em placenta posterior ou ultrassonografia inconclusiva. Não é o primeiro exame para localizar placenta prévia.
C) Correta (gabarito). A ultrassonografia transvaginal confirma a localização placentária com maior precisão e segurança, sendo o exame de escolha para a hipótese apresentada.
D) Incorreta. Cardiotocografia deve avaliar vitalidade fetal no sangramento agudo, mas não identifica a causa anatômica do sangramento e não confirma placenta prévia.