Abdome agudo: abordagem diagnóstica

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Questão 24
UERJ · 2022

O abscesso retroperitoneal pode ter instalação insidiosa por estar em espaço mais delimitado, porém, por ser potencialmente expansivo, pode se tornar grande em volume e produzir graves sepses. A tomografia tem papel fundamental na delimitação e inferência diagnóstica do quadro.

A história prévia que NÃO pode ser relacionada ao abscesso retroperitoneal é a:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O retroperitônio contém rins, ureteres, a maior parte do duodeno, pâncreas, grandes vasos e espaços fasciais que se comunicam com o músculo psoas. Infecções desses órgãos ou perfurações que se dirigem posteriormente podem formar coleções volumosas com poucos sinais peritoneais iniciais. A tomografia com contraste é o principal exame para localizar a coleção, identificar gás, necrose, extensão e possível foco de origem.

Apendicite retrocecal perfurada pode disseminar secreção para o espaço retroperitoneal. A perfuração duodenal após CPRE, especialmente quando o extravasamento ocorre posteriormente, também contamina esse compartimento. Pancreatite grave produz necrose e coleções no retroperitônio porque o pâncreas é órgão secundariamente retroperitoneal.

O úraco é um remanescente embrionário entre a cúpula vesical e o umbigo, situado na linha média anterior, no espaço pré-peritoneal de Retzius. A infecção de um cisto uracal forma coleção supravesical anterior, não um abscesso retroperitoneal típico.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Apendicite retrocecal perfurada pode drenar posteriormente e causar abscesso retroperitoneal ou do psoas, às vezes com dor lombar e poucos sinais de irritação peritoneal.

B) Incorreta. Perfuração posterior do duodeno durante CPRE pode liberar ar e conteúdo digestivo no retroperitônio, evoluindo com coleção e sepse.

C) Incorreta. Pancreatite aguda necrosante produz coleções peripancreáticas e retroperitoneais que podem infectar-se secundariamente.

D) Correta (gabarito). O cisto do úraco está no compartimento anterior pré-peritoneal, entre bexiga e umbigo, e não possui relação anatômica habitual com abscesso retroperitoneal.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é considerar todo abscesso abdominal profundo como retroperitoneal; o úraco é anterior e pré-peritoneal.

  • Retrocecal, duodeno posterior e pâncreas são origens clássicas de infecção retroperitoneal.

  • Quadro insidioso com dor lombar, febre e sepse sem peritonite exuberante pede tomografia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Abdome agudo: abordagem diagnóstica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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