Um paciente foi agredido com uma facada no abdômen e apresenta vísceras expostas. Levado à emergência por não médicos, ele informou ao médico que o atendeu o que havia ocorrido.
A pegadinha é escolher um cuidado correto, cobrir as vísceras, mas fora da prioridade sequencial exigida pela questão.
Paciente fala: via aérea está pérvia naquele instante; depois de avaliar respiração, prossiga para circulação.
Vísceras expostas: cobrir com compressa estéril úmida e morna, nunca empurrar de volta.
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Contexto
Evisceração após ferimento penetrante é indicação de avaliação cirúrgica urgente, mas o atendimento inicial continua obedecendo à sequência sistematizada do trauma. Como o paciente consegue relatar o ocorrido, há evidência de via aérea pérvia e ventilação suficiente para fala naquele momento. Na sequência, a prioridade é circulação, controle de hemorragia e obtenção de acessos venosos calibrosos para coleta, reposição e protocolo de transfusão quando indicado.
No ATLS atual, hemorragia externa catastrófica pode ser controlada antes da via aérea na lógica xABCDE. A evisceração, por si só, não informa sangramento externo exsanguinante. As vísceras devem ser cobertas com compressa estéril umedecida com solução salina morna, sem tentar reduzi-las para a cavidade. Em atendimento com equipe, essa proteção pode ocorrer simultaneamente à avaliação primária, mas não substitui a ressuscitação circulatória.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Com via aérea e respiração aparentemente preservadas, a próxima etapa sistemática é circulação, com acesso venoso ou intraósseo, avaliação do choque e controle de hemorragia.
B) Incorreta. Cobrir as vísceras é obrigatório para evitar ressecamento, perda de calor e contaminação, mas é um cuidado local que pode ser feito em paralelo. Na sequência de prioridades cobrada, não supera a abordagem da circulação.
C) Incorreta. Evisceração por trauma penetrante geralmente exige exploração operatória, porém o paciente deve primeiro passar por avaliação primária e ressuscitação, salvo necessidade de intervenção imediata simultânea por colapso refratário.
D) Incorreta. Despir completamente o paciente pertence à etapa de exposição, após avaliação de circulação e estado neurológico, sempre com prevenção ativa de hipotermia.