Mulher de 59 anos relata que estava sem menstruação há seis anos, mas que, há aproximadamente seis meses, “voltou a menstruar”. Nega outras queixas. É hipertensa e diabética. Nega história familiar de câncer. Nega terapia de reposição estrogênica. A ultrassonografia transvaginal evidencia endométrio irregular com 8mm de espessura.
A pegadinha é considerar que a ultrassonografia já fechou o diagnóstico: espessamento indica biópsia, não histerectomia automática.
Sangramento pós-menopausa sempre precisa de avaliação, mesmo quando discreto.
Lesão irregular ou focal favorece histeroscopia com biópsia dirigida.
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Contexto
Qualquer sangramento após doze meses de amenorreia é sangramento pós-menopausa e exige exclusão de câncer endometrial. Diabetes e hipertensão aumentam a suspeita porque se associam a exposição estrogênica metabólica e maior risco de neoplasia. O endométrio mede 8 mm, é irregular e está acima do limite de 4 mm usado tradicionalmente para definir baixo risco na ultrassonografia.
A atualização do ACOG de 2026 passou a recomendar combinação de ultrassonografia transvaginal e amostragem endometrial na avaliação inicial da maioria das pacientes com sangramento pós-menopausa. Neste caso, a necessidade de tecido é inequívoca. A histeroscopia com biópsia dirigida visualiza pólipos, lesões focais e áreas irregulares que uma biópsia cega pode perder.
O diagnóstico histológico deve anteceder tratamento definitivo. Hiperplasia sem atipia, neoplasia intraepitelial endometrial e carcinoma possuem tratamentos distintos, portanto não se indica ablação ou histerectomia sem confirmação e estadiamento apropriados.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Endométrio espessado e irregular em paciente com sangramento persistente requer avaliação da cavidade e biópsia, e a histeroscopia permite amostragem dirigida.
B) Incorreta. Ablação endometrial destrói tecido, dificulta investigação futura e é contraindicada antes de excluir hiperplasia atípica ou câncer.
C) Incorreta. Conduta expectante só seria cogitada após avaliação adequada em cenário de risco muito baixo. Sangramento por seis meses, endométrio de 8 mm, irregularidade, diabetes e hipertensão exigem investigação imediata.
D) Incorreta. Histerectomia pode ser tratamento de câncer ou hiperplasia atípica, mas não é a primeira etapa sem diagnóstico histológico.