Homem de 44 anos, com IMC = 33kg/m2, assintomático, sem história de doenças prévias, realiza exames de rotina, que mostram glicemia de jejum de 107 e 110mg/dL em duas ocasiões distintas, com níveis normais de ureia e creatinina. A mãe é portadora de diabetes mellitus tipo 2.
A pegadinha é transformar pré-diabetes em diabetes por haver dois exames alterados; repetição confirma a faixa, não muda o ponto de corte.
Jejum 100 a 125 mg/dL = pré-diabetes; 126 mg/dL ou mais = diabetes.
Na pré-diabetes, perda de peso e 150 minutos semanais de atividade física são a intervenção de maior rendimento.
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Contexto
Glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL caracteriza glicemia de jejum alterada, uma categoria de pré-diabetes. Diabetes por glicemia de jejum exige valor de pelo menos 126 mg/dL, em geral confirmado em nova amostra quando não há hiperglicemia inequívoca. Também são critérios de diabetes hemoglobina glicada de pelo menos 6,5%, glicemia de duas horas de pelo menos 200 mg/dL no teste oral ou glicemia casual de pelo menos 200 mg/dL com sintomas clássicos.
Segundo os Standards of Care in Diabetes 2026 da ADA, a intervenção central é um programa intensivo de estilo de vida, com redução calórica, alimentação sustentável, pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada e meta inicial de perda de 5% a 7% do peso. O IMC de 33 kg/m2 e a história familiar aumentam o risco de progressão.
Metformina pode ser considerada em pré-diabetes de risco muito alto, especialmente em pessoas de 25 a 59 anos com IMC de pelo menos 35 kg/m2, glicemia de jejum mais alta, hemoglobina glicada mais próxima da faixa diabética ou antecedente de diabetes gestacional. Este paciente não preenche o marcador de IMC de maior benefício e deve começar pela mudança de estilo de vida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Os valores de 107 e 110 mg/dL não atingem o ponto de corte para diabetes. Além disso, a intervenção não deve ser resumida a retirar carboidratos; o objetivo é déficit calórico, qualidade alimentar, perda de peso e atividade física.
B) Correta (gabarito). Duas glicemias de jejum entre 100 e 125 mg/dL definem pré-diabetes, e a primeira conduta é intervenção intensiva no estilo de vida com dieta hipocalórica e exercício.
C) Incorreta. O diagnóstico de diabetes está errado e não há indicação de iniciar tratamento farmacológico como se houvesse diabetes estabelecido.
D) Incorreta. O diagnóstico de pré-diabetes está correto, mas metformina não é a primeira medida obrigatória para todos. Ela é considerada em perfis de risco selecionados; neste caso, a alternativa com intervenção comportamental é mais adequada.