Segundo dados da OPAS/OMS, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, sendo a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 19 anos. As ferramentas para triagem de suicídio têm sensibilidade e especificidade variáveis, o que torna a prática clínica um desafio, incluindo a decisão de hospitalizar ou não um paciente.
A pegadinha é esperar a frase explícita eu quero morrer: mensagens indiretas podem revelar intenção real.
Triagem positiva exige avaliação estruturada; internação depende do risco agudo e da possibilidade de manter segurança.
Perguntar diretamente sobre suicídio não induz o comportamento e melhora a identificação do risco.
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Contexto
Em adolescentes, a intenção suicida pode ser expressa diretamente ou aparecer de modo implícito em frases como não querer acordar, acreditar que a família estaria melhor sem sua presença ou despedir-se sem declarar um plano. A orientação da American Academy of Pediatrics considera que intenção ativa, mesmo sugerida ou implícita, exige proteção imediata e pode indicar hospitalização.
A decisão não deve depender apenas de uma escala. A avaliação precisa investigar plano, acesso ao método, letalidade, tentativa recente, impulsividade, intoxicação, psicose, agitação, desesperança, capacidade de colaborar com um plano de segurança e supervisão familiar. Ferramentas do NIMH separam triagem de avaliação breve e avaliação completa; teste positivo isolado não significa internação automática.
O gabarito usa a intenção implícita como marcador de risco elevado. Na prática atual, hospitalização é indicada quando há risco iminente, incapacidade de garantir segurança no ambiente ou ausência de suporte confiável. Durante a avaliação, o adolescente não deve permanecer sozinho e meios letais precisam ser removidos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Intenção ocorrida apenas na infância aumenta o risco histórico, mas não determina hospitalização atual sem ideação, plano, comportamento recente ou outros marcadores de risco agudo.
B) Incorreta. Uma narrativa descrita como fantasiosa nunca deve ser descartada sem investigação, especialmente em crianças. Contudo, imaginação sem desejo de morrer, plano ou risco atual não possui o mesmo peso de intenção suicida implícita.
C) Correta (gabarito). Intenção implícita é uma forma de intenção ativa e pode representar risco grave, justificando hospitalização quando a segurança não pode ser assegurada fora do ambiente protegido.
D) Incorreta. Ausência de intenção reduz o risco imediato, embora hospitalização ainda possa ser necessária em tentativa recente, psicose, intoxicação grave ou incapacidade de proteção. Isoladamente, não é o critério específico cobrado.