Doenças intersticiais e nódulo pulmonar

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Questão 10
UERJ · 2022

Mulher de 55 anos, com história prévia de doença pulmonar quando mais jovem, vem apresentando, há alguns meses, episódios de tosse seca, associados a períodos de dispneia aos esforços. Existe história de tabagismo com consumo de 35 maços/ano e etilismo social. O exame físico mostra obesidade, IMC = 34kg/m2, taquipneia, murmúrio vesicular diminuído principalmente em bases, crepitações e alguns sibilos. A prova de função respiratória mostra capacidade vital forçada (CVF) = 2,00 (normal: 3,31), volume expiratório no primeiro segundo (VEF1s) = 1,70 (normal: 2,86) e, após o uso de broncodilatador, CVF = 2,10 e VEF1s = 1,74.

Em relação ao caso apresentado, a melhor definição do tipo de distúrbio ventilatório e de uma doença a ele relacionada, respectivamente, são:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A relação VEF1/CVF pré-broncodilatador é 1,70/2,00 = 0,85 e permanece preservada após broncodilatador, cerca de 0,83. VEF1 e CVF estão reduzidos de forma proporcional, aproximadamente 59% e 60% dos valores previstos. Esse padrão não demonstra obstrução e sugere distúrbio ventilatório restritivo.

Pelos padrões interpretativos ERS/ATS de 2022, espirometria com CVF baixa e relação VEF1/CVF normal apenas sugere restrição; a confirmação requer capacidade pulmonar total abaixo do limite inferior da normalidade. Obesidade pode produzir restrição extraparenquimatosa, enquanto crepitações basais e história de pneumopatia levantam doença intersticial. Entre as alternativas, pneumonia intersticial não específica é a doença compatível com padrão restritivo.

Não houve resposta broncodilatadora relevante: o VEF1 aumentou somente 40 mL e a CVF 100 mL. Isso fica muito abaixo tanto do critério atual de mudança superior a 10% do valor previsto quanto do critério antigo de pelo menos 12% e 200 mL. A expressão restritivo não reversível é simplificadora, pois reversibilidade é conceito mais útil para obstrução, mas é a melhor combinação oferecida.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Sarcoidose pode causar restrição, mas o exame não mostrou reversibilidade. Broncodilatador não reverte redução de volumes causada por doença intersticial.

B) Incorreta. Asma exige demonstração de limitação expiratória variável, usualmente com relação VEF1/CVF reduzida durante a obstrução e resposta broncodilatadora significativa. Nenhum desses elementos aparece.

C) Incorreta. Enfisema produz distúrbio obstrutivo, com VEF1 desproporcionalmente reduzido e relação VEF1/CVF abaixo do limite inferior da normalidade, frequentemente acompanhado de aprisionamento aéreo e difusão reduzida.

D) Correta (gabarito). A redução proporcional de VEF1 e CVF, com relação preservada e ausência de resposta broncodilatadora, sugere restrição; pneumonia intersticial não específica é uma causa parenquimatosa compatível.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é olhar apenas VEF1 baixo e chamar de obstrução; quem separa os padrões é a relação VEF1/CVF.

  • CVF baixa + relação preservada sugere restrição, mas só a capacidade pulmonar total confirma.

  • Obesidade também reduz volumes, portanto a espirometria isolada não define a etiologia intersticial.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doenças intersticiais e nódulo pulmonar” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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