Mulher de 38 anos comparece à consulta de ginecologia para mostrar resultado de exame preventivo com seguinte laudo: “Amostra satisfatória. Microbiologia: Candida albicans. Células glandulares atípicas de significado indeterminado”. Nega sintomas de odor, prurido ou secreção vaginal.
A pegadinha é deixar a Candida desviar a atenção: AGC é o achado que define a conduta.
AGC vai para colposcopia; acima de 35 anos, investigue também o endométrio.
Microrganismo no preventivo sem sintomas não equivale automaticamente a infecção que precisa ser tratada.
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Contexto
Células glandulares atípicas, AGC, possuem associação relevante com lesões do canal endocervical, adenocarcinoma in situ, câncer invasor e alterações endometriais. Por isso, não devem ser conduzidas como atipias escamosas de baixo risco nem apenas repetidas após seis meses. As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero do INCA, de 2016, recomendam encaminhamento para colposcopia.
Como a paciente tem 38 anos, também é necessária avaliação endometrial. A diretriz brasileira admite ultrassonografia e/ou estudo anatomopatológico em mulheres acima de 35 anos. Recomendações internacionais atuais são ainda mais incisivas e associam colposcopia, amostragem endocervical e amostragem endometrial nessa faixa etária. Assim, a alternativa A é a melhor entre as disponíveis, embora a investigação contemporânea possa exigir biópsia endometrial, e não somente imagem.
A identificação de Candida albicans no exame citopatológico não significa candidíase clínica. Sem prurido, ardor, disúria ou corrimento característico, trata-se de colonização e não há indicação de antifúngico.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). AGC exige colposcopia e investigação complementar do endométrio em mulher acima de 35 anos. O exame de imagem pode avaliar a cavidade, mas a necessidade de amostragem histológica deve ser considerada.
B) Incorreta. Repetir a citologia em seis meses adia a investigação de uma categoria associada a neoplasias glandulares. A colposcopia deve ser realizada sem aguardar nova coleta.
C) Incorreta. O encaminhamento para colposcopia está correto, mas tratar Candida assintomática é desnecessário e não aborda o risco endocervical ou endometrial.
D) Incorreta. Combina tratamento antifúngico sem indicação com seguimento citológico insuficiente para AGC, podendo atrasar diagnóstico de adenocarcinoma ou hiperplasia endometrial.