Mulher com 48 anos, negra, solteira, relata ter perdido o pai falecido recentemente devido à covid-19. Procurou a UBS com queixa de cefaleia e formigamento nos pés; refere ter diabetes e que nem sempre usa as medicações corretamente. Sabe que precisa fazer dieta e realizar atividade física, mas não tem vontade para fazer nada desde a morte do pai. O exame físico evidenciou: IMC = 32, PA = 150 x 90mmHg e varizes de membros inferiores. A conduta do médico foi prescrever as medicações e marcar o retorno para 60 dias.
A pegadinha é confundir cuidado centrado na pessoa com o médico ouvir e depois decidir sozinho; a decisão é compartilhada.
Luto, humor e contexto social podem ser a principal barreira à adesão clínica.
Todo encontro na APS é oportunidade de prevenção, mas a prioridade deve ser negociada para não sobrecarregar a pessoa.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
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Contexto
O método clínico centrado na pessoa integra quatro movimentos: explorar doença e experiência de adoecimento, compreender a pessoa em seu contexto, construir um campo comum para decisões e fortalecer a relação terapêutica. Neste caso, o luto recente, a falta de vontade, a adesão irregular e as condições sociais precisam ser compreendidos junto ao diabetes, hipertensão e obesidade.
A consulta descrita restringiu-se a prescrever e marcar retorno, sem investigar depressão, risco suicida, suporte familiar, barreiras financeiras ou significado atribuído aos sintomas. Um plano compartilhado poderia definir prioridades factíveis, combinar acompanhamento mais próximo e envolver equipe multiprofissional.
A abordagem centrada na pessoa tende a melhorar adesão, satisfação, autocuidado e prevenção. Ela não exige obrigatoriamente consultas muito mais longas; técnicas de comunicação, agenda compartilhada e continuidade podem tornar o encontro mais eficiente e reduzir retornos evitáveis.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Cada encontro permite integrar tratamento, prevenção e promoção da saúde, e a participação ativa da pessoa aumenta a chance de adesão a um plano compatível com seu contexto.
B) Incorreta. O método não é definido por aumento de custos ou sobrecarga. Ao melhorar comunicação, continuidade e decisões adequadas, pode reduzir intervenções desnecessárias e uso desordenado de urgências.
C) Incorreta. A consulta pode demandar escuta qualificada, mas não necessariamente muito mais tempo. O benefício decorre de reorganizar a conversa e não apenas prolongá-la.
D) Incorreta. Aspectos subjetivos devem ser valorizados, mas a decisão não pertence unilateralmente ao médico. O plano deve ser construído em comum acordo, com informação e respeito às preferências da pessoa.