Diabetes mellitus: diagnóstico e tratamento

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Questão 53
UERJ · 2022

Idosa de 78 anos procura a UBS com queixa de tonteira, após ter sido atendida na Unidade de Pronto Atendimento no último fim de semana. Refere diabetes há pelo menos 15 anos, tabagismo de 20 maços/ano e uso regular de metformina 850mg 3x/dia, mas não faz dieta. Ao exame físico, apresenta obesidade grau II e pressão arterial de 120 x 80mmHg. Na consulta, apresentou os seguintes exames: glicemia = 158mg/dL, HbA1c = 8%; colesterol total = 238mg/dL, HDL = 35mg/dL e LDL = 135mg/dL; ecocardiograma com disfunção ventricular esquerda, fração de ejeção de 47%, TFG de 58mL/min/1,73 e microalbuminúria.

Quanto à abordagem terapêutica e as medidas preventivas e/ou de rastreamento das complicações nessa paciente, a conduta mais adequada é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente de 78 anos apresenta diabetes de longa duração, tabagismo, LDL de 135 mg/dL, HDL baixo, doença renal crônica com albuminúria e disfunção ventricular. Esse conjunto define risco cardiovascular muito elevado. Os Standards of Care in Diabetes de 2026 recomendam tratamento com estatina em adultos idosos com diabetes quando o benefício esperado supera os riscos, com intensidade individualizada conforme doença cardiovascular, fragilidade, tolerância e expectativa de vida.

A meta glicêmica deve ser individualizada. Em idosa funcionalmente preservada, valor em torno de 7% a 7,5% pode ser razoável; com múltiplas comorbidades, fragilidade ou maior risco de hipoglicemia, metas próximas de 8% são frequentemente aceitas. Forçar hemoglobina glicada abaixo de 6,5% pode aumentar danos sem benefício proporcional.

A TFG de 58 mL/min/1,73 m² permite manter metformina, embora a dose de 2.550 mg por dia deva ser revista diante da idade e função renal. A presença de insuficiência cardíaca e albuminúria também favorece um inibidor de SGLT2 com benefício cardiorrenal, independentemente de pequena redução adicional da glicose. Educação para autocuidado deve incluir adesão, alimentação, cessação do tabagismo, cuidado dos pés, reconhecimento de sinais de alarme e uso apropriado dos serviços.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Exame dos pés e rastreamento de neuropatia são necessários, mas a meta inferior a 6,5% é excessivamente rígida para uma idosa com doença cardíaca e renal.

B) Correta (gabarito). Estatina é indicada pelo risco cardiovascular elevado, e educação estruturada para autocuidado melhora adesão, reconhecimento precoce de complicações e utilização adequada da rede de saúde.

C) Incorreta. Cessação do tabagismo é indispensável, mas insuficiência cardíaca não é indicação de aspirina. Em prevenção primária após 70 anos, o risco de sangramento geralmente supera o benefício.

D) Incorreta. Fundoscopia é apropriada para rastrear retinopatia, porém TFG de 58 não exige suspensão da metformina. A contraindicação ocorre com TFG abaixo de 30 mL/min/1,73 m², com cautela e ajuste em valores intermediários.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é escolher uma alternativa com exame correto, mas conduta farmacológica errada; DRC leve não obriga suspender metformina.

  • Idoso com diabetes precisa de meta de HbA1c individualizada, não automaticamente inferior a 6,5%.

  • Albuminúria e insuficiência cardíaca passaram a direcionar terapia cardiorrenal, especialmente inibidor de SGLT2.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Diabetes mellitus: diagnóstico e tratamento” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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