Mulher de 63 anos procurou a unidade básica de saúde, com queixa de episódios recorrentes de vertigem iniciados há três meses. A paciente relatou que esses episódios eram mais frequentes pela manhã, ao levantar-se, e negou quaisquer outros sintomas associados. Ao exame neurológico, apresentou nistagmo horizontal bilateral. O teste de Weber não evidenciou lateralização e o teste de Rinne mostrou tempo de condução aérea superior à óssea.
Pegadinha central: vertigem posicional sem sintomas auditivos aponta para VPPB, não para Ménière.
Dix-Hallpike pesquisa canal posterior; nistagmo horizontal pede teste de rotação em decúbito para canal horizontal.
Imagem não é rotina quando a história e o exame são típicos de VPPB e não há sinal central.
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Contexto
Episódios recorrentes de vertigem desencadeados ao levantar-se ou mudar a posição da cabeça, sem sintomas auditivos ou déficit neurológico focal, sugerem vertigem posicional paroxística benigna. A doença resulta do deslocamento de otocônias para um canal semicircular, gerando fluxo endolinfático inadequado durante movimentos cefálicos.
A Diretriz da American Academy of Otolaryngology de 2017 recomenda a manobra de Dix-Hallpike para diagnosticar VPPB do canal posterior, procurando vertigem e nistagmo torsional para cima. O enunciado descreve nistagmo horizontal bilateral, detalhe que pode sugerir comprometimento do canal horizontal. Nessa situação, se o Dix-Hallpike provocar nistagmo horizontal ou for negativo apesar de história típica, a recomendação atual é complementar com o teste de rotação da cabeça em decúbito, também chamado supine roll test. Como esse teste não aparece nas opções, Dix-Hallpike permanece a melhor resposta.
Weber sem lateralização e Rinne com condução aérea maior que óssea indicam audição sem perda condutiva, reduzindo a probabilidade de doença otológica acompanhada de hipoacusia.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É o teste provocativo clássico para VPPB e a única alternativa que reproduz o estímulo posicional responsável pelos sintomas.
B) Incorreta. Ressonância é reservada para sinais de vertigem central, como déficit neurológico focal, nistagmo vertical ou não fatigável, cefaleia nova, ataxia importante ou evolução atípica.
C) Incorreta. Audiometria é útil quando há hipoacusia, zumbido ou plenitude auricular, como na doença de Ménière ou em lesões cocleares. Os testes de diapasão não sugerem perda auditiva.
D) Incorreta. Otoscopia avalia conduto e membrana timpânica, mas não confirma canalitíase do sistema vestibular.