Menina de 7 anos é trazida para consulta ambulatorial com queixa de baixa estatura. A mãe refere que a criança tem desenvolvimento normal, mas que é bem menor que seus colegas de turma da escola. Ao ser questionada sobre doenças prévias, a mãe relata que a menina foi internada mais de cinco vezes por infecção urinária, com presença de febre e que o primeiro episódio aconteceu aos três meses de vida. À época, foi pedida uma ultrassonografia (USG) de vias urinárias, que não conseguiu realizar. Ao exame físico, a criança apresenta PA = 128 x 86mmHg, FC = 98bpm, FR = 34ipm, sem outras alterações, exceto pela baixa estatura, classificada como abaixo do alvo genético e do z escore -3 para a idade. O IMC é adequado para a idade. A mãe trouxe um hemograma que mostra: Hgb = 9g/dL, VCM = 79, RDW = 11.
ITU febril recorrente mais hipertensão e déficit de crescimento exige investigação renal.
Creatinina isolada deve ser interpretada com cálculo da taxa de filtração, pois crianças pequenas têm menor massa muscular.
Anemia com RDW normal pode acompanhar doença crônica e deficiência de eritropoetina.
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Contexto
Infecções urinárias febris recorrentes desde o primeiro ano de vida levantam suspeita de refluxo vesicoureteral, malformação ou obstrução urinária, com risco de pielonefrite de repetição e cicatrizes renais. Aos 7 anos, a combinação de baixa estatura grave, hipertensão e anemia indica possível doença renal crônica por nefropatia cicatricial.
A investigação essencial inclui creatinina, ureia, eletrólitos, bicarbonato, estimativa da taxa de filtração glomerular, urina tipo 1 e quantificação de proteinúria ou albuminúria. Ultrassonografia de rins e vias urinárias deve ser realizada, e exames como uretrocistografia miccional são definidos conforme os achados. A anemia renal decorre principalmente de redução de eritropoetina e tende a apresentar VCM e RDW pouco alterados.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cinética de ferro pode integrar a avaliação da anemia, mas não é o exame que esclarece a associação entre ITU recorrente, hipertensão, baixa estatura e possível perda de função renal.
B) Incorreta. Urocultura é obrigatória quando há suspeita de infecção ativa, mas a criança não apresenta sintomas atuais. Ela não avalia a repercussão crônica acumulada.
C) Correta (gabarito). A avaliação da função renal é prioritária para detectar doença renal crônica, distúrbios eletrolíticos e redução da filtração decorrentes de nefropatia por refluxo ou outra uropatia.
D) Incorreta. Mielograma é reservado a suspeita de falência, infiltração ou neoplasia medular. O contexto clínico aponta para anemia de doença renal, não para doença primária da medula.