Homem de 66 anos procura, muito nervoso, atendimento médico devido à dor precordial em aperto quando sobe escada rapidamente, que melhora quando retorna ao repouso. Nega diabetes, hipertensão, dislipidemia e tabagismo. O médico realiza um ECG, que está normal e avalia a tabela de risco de Framingham, que mostra risco abaixo de 5%. Em vista disso, conclui que ele não tem angina de peito, mas para tranquilizá-lo, solicita um teste ergométrico (TE) e um ECO. O ECO está normal em repouso, a não ser pela diminuição do relaxamento. E o TE com referência de má adaptação ao aparelho e baixa capacidade física, não tendo alcançado a frequência cardíaca submáxima, mas sem sintomas ou alteração isquêmica no eletrocardiograma. Com esses resultados, o médico informa que, provavelmente, o paciente está com sintomas de ansiedade.
Dor de esforço que melhora em repouso deve ser investigada como angina mesmo com ECG normal.
Framingham prevê eventos futuros; não diagnostica causa da dor torácica.
Teste submáximo é inconclusivo, não tranquilizador.
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Contexto
Dor retroesternal em aperto, provocada por esforço e aliviada pelo repouso preenche os três componentes de angina típica. ECG de repouso normal não exclui doença coronariana, e ecocardiograma sem alteração segmentar em repouso também pode ser normal entre episódios. O escore de Framingham estima risco cardiovascular futuro em prevenção primária, mas não calcula a probabilidade diagnóstica de doença coronariana em paciente sintomático.
O teste ergométrico foi interrompido sem alcançar esforço ou frequência adequados e deve ser classificado como inconclusivo, não negativo. A Diretriz ESC de Síndromes Coronarianas Crônicas de 2024 prioriza angiotomografia coronariana ou imagem funcional conforme probabilidade clínica e disponibilidade; exercício com ECG isolado tem menor capacidade diagnóstica. O gabarito considera que o teste escolhido foi inadequado e provavelmente falso negativo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. ECG, eco de repouso e teste submáximo não excluem isquemia. A conclusão de ansiedade foi prematura.
B) Incorreta. Testes em série só são úteis quando cada resultado é tecnicamente válido e interpretado na probabilidade pré-teste correta. O teste ergométrico foi não diagnóstico.
C) Incorreta. Reconhece que ECG e eco não excluem isquemia, mas erra ao afirmar que o teste submáximo afasta angina. Framingham também não substitui avaliação diagnóstica da dor.
D) Correta (gabarito). A clínica mantém suspeita de angina, Framingham não é instrumento diagnóstico e o teste ergométrico incapaz de alcançar esforço adequado pode ser falso negativo. Deveria ser escolhido exame anatômico ou funcional apropriado.