Mulher de 66 anos, hipertensa, com insuficiência cardíaca e diagnóstico de mielofibrose primária, com necessidade de suporte transfusional semanal, procura o ambulatório de hematologia para transfusão de concentrado de hemácias. Após 30 minutos do início da infusão, a paciente apresenta febre de 38,3°C, dispneia e dessaturação. A radiografia de tórax evidencia infiltrado alveolar bilateral difuso. Não havia icterícia, dor abdominal ou alteração da cor da urina.
Pegadinha central: insuficiência cardíaca favorece TACO, mas febre e edema pulmonar não cardiogênico imediato favorecem TRALI.
TRALI ocorre durante ou até seis horas após a transfusão.
TRALI e TACO compartilham infiltrado bilateral; o divisor é a evidência de sobrecarga e hipertensão atrial esquerda.
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Contexto
Dispneia, dessaturação e infiltrado alveolar bilateral surgindo durante a transfusão ou até seis horas depois definem o cenário clássico de lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, TRALI. Trata-se de edema pulmonar não cardiogênico, geralmente mediado pela ativação de neutrófilos pulmonares por anticorpos anti-HLA ou anti-HNA do doador e por fatores inflamatórios do receptor.
O diagnóstico exige início agudo, hipoxemia, opacidades bilaterais e ausência de evidência de hipertensão atrial esquerda como causa principal. Febre pode acompanhar TRALI. A insuficiência cardíaca aumenta o risco de sobrecarga circulatória associada à transfusão, mas o enunciado não descreve hipertensão, turgência jugular, cardiomegalia, balanço hídrico positivo ou resposta a diurético, elementos que apontariam para TACO.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Contaminação bacteriana do hemocomponente costuma causar febre alta, calafrios, hipotensão e choque, devendo ser investigada com culturas do paciente e da bolsa. Pode causar lesão pulmonar secundária, mas não é a explicação mais direta do padrão apresentado.
B) Correta (gabarito). Hipoxemia e opacidades bilaterais 30 minutos após o início da transfusão, associadas a febre e sem sinais de hemólise, caracterizam TRALI.
C) Incorreta. A paciente tem fator de risco para sobrecarga, mas faltam sinais de congestão hidrostática. TACO costuma vir com hipertensão, ingurgitamento jugular, cardiomegalia, elevação de peptídeo natriurético e melhora com diurético.
D) Incorreta. Reação hemolítica aguda costuma causar febre, dor lombar ou abdominal, hipotensão, hemoglobinúria, elevação de LDH, queda de haptoglobina, icterícia e, em casos graves, coagulação intravascular disseminada.