Mulher de 50 anos, apresenta aferições de pressão arterial (PA) sistólica na faixa de 160 a 170mmHg e PA diastólica de 80 a 95mmHg. O exame clínico é normal, exceto por B4, como bulha acessória. O eletrocardiograma (ECG) indica aumento da amplitude da onda R em precordiais esquerdas, índice de Morris aumentado e padrão do segmento ST tipo “strain”.
Pegadinha central: presença de lesão de órgão-alvo elimina a estratégia de apenas observar resposta à dieta.
PA sistólica de 160 a 179 mmHg já coloca o paciente em estágio 2, mesmo que a diastólica seja menos elevada.
Estágio 2 geralmente começa com combinação de duas classes de primeira linha, não com vasodilatadores diretos ou fármacos de ação central.
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Contexto
A pressão sistólica repetidamente entre 160 e 170 mmHg caracteriza hipertensão em faixa de estágio 2. Além disso, B4, aumento das forças elétricas esquerdas e padrão de strain indicam hipertrofia ventricular esquerda com repercussão cardíaca, uma lesão de órgão-alvo. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 recomenda tratamento farmacológico imediato associado às mudanças de estilo de vida quando há pressão nessa faixa, especialmente na presença de lesão de órgão-alvo.
As classes preferenciais para início do tratamento crônico incluem bloqueadores do sistema renina-angiotensina, diuréticos tiazídicos ou similares e bloqueadores dos canais de cálcio. Em estágio 2, costuma-se preferir combinação de dois fármacos em baixa dose, como um inibidor da enzima conversora da angiotensina associado a tiazídico. A monitorização ambulatorial pode complementar a avaliação, mas não deve atrasar tratamento em um quadro reiterado e já acompanhado de dano cardíaco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hidralazina e clonidina não são escolhas iniciais habituais para hipertensão crônica não complicada. A hidralazina pode causar taquicardia e retenção hídrica, e a clonidina produz sedação e hipertensão rebote quando suspensa abruptamente.
B) Correta (gabarito). Um inibidor da enzima conversora, preferencialmente associado a tiazídico neste estágio, pertence ao grupo de terapias de primeira linha e deve ser iniciado sem esperar apenas medidas não farmacológicas.
C) Incorreta. A MAPA pode confirmar padrões como hipertensão do avental branco, mas a combinação de níveis repetidamente altos e hipertrofia ventricular esquerda torna inadequado postergar a terapia medicamentosa.
D) Incorreta. Reavaliar somente em seis meses mantém exposição prolongada a risco de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e progressão da hipertrofia ventricular.