A contraindicação clássica à tela sintética permanente é contaminação franca do campo.
Recidiva com tela prévia não significa ausência de nova tela; costuma significar mudança do plano de abordagem.
Campo limpo-contaminado não equivale automaticamente a campo sujo, uma nuance cada vez mais cobrada.
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Contexto
A tela reduz recidiva no reparo das hérnias inguinais, motivo pelo qual é empregada na maioria dos adultos. O problema surge quando uma prótese sintética permanente é implantada em ambiente com alta carga bacteriana: microrganismos aderem ao material, formam biofilme e podem causar infecção persistente, fístula e necessidade de retirada da tela.
A atualização HerniaSurge de 2023 tornou a recomendação mais individualizada. Campo limpo-contaminado, como ressecção intestinal sem extravasamento grosseiro, não constitui proibição absoluta de tela em todos os casos. Entretanto, contaminação franca, pus, perfuração ou tecido infectado continuam sendo o cenário clássico no qual se evita tela sintética permanente. O gabarito cobra essa regra prática.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O acesso pré-peritoneal é justamente a base de técnicas com tela, como TEP, TAPP e reparos abertos posteriores. O plano anatômico não contraindica prótese.
B) Incorreta. Recidiva após tela exige definir onde está a prótese anterior e, em geral, escolher um plano diferente. Uma nova tela pode ser necessária e não é proibida apenas pela existência de tela prévia.
C) Incorreta. Hérnia por deslizamento contém víscera compondo parte do saco e requer dissecção cuidadosa. Isso altera a técnica, não impede automaticamente o uso de tela.
D) Correta (gabarito). A contaminação operatória aumenta o risco de colonização e infecção protética crônica. Em contaminação grosseira, evita-se tela sintética permanente e individualiza-se reparo tecidual, material absorvível ou reconstrução diferida.