Gestante, na 30a semana, é atendida na emergência com quadro de confusão mental, ataxia e nistagmo, com início desde o 4o mês de gravidez. Familiares referem que ela não possuía nenhuma comorbidade, tendo tido múltiplos atendimentos no início da gestação por quadro de vômitos com perda ponderal de aproximadamente 10kg.
Hiperêmese mais confusão, ataxia e nistagmo é Wernicke até prova em contrário.
Tiamina deve ser administrada antes de glicose para não agravar a lesão neurológica.
A ausência da tríade completa não exclui o diagnóstico.
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Contexto
Hiperêmese gravídica prolongada pode esgotar os estoques de tiamina, especialmente quando há grande perda ponderal, baixa ingestão e administração de soluções com glicose sem reposição vitamínica. A deficiência de vitamina B1 prejudica o metabolismo energético cerebral e causa encefalopatia de Wernicke.
A tríade clássica é alteração do estado mental, ataxia e anormalidades oculomotoras, como nistagmo ou oftalmoplegia. A tríade completa não aparece em todos os casos, portanto o diagnóstico é clínico e o tratamento não deve aguardar ressonância ou dosagem vitamínica. Deve-se administrar tiamina parenteral em dose terapêutica antes de glicose, corrigir magnésio e outros distúrbios e tratar a hiperêmese.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Guillain-Barré produz fraqueza flácida ascendente, arreflexia e possível disautonomia. Não explica confusão mental, nistagmo e ataxia após desnutrição.
B) Correta (gabarito). Confusão, ataxia e nistagmo em gestante com hiperêmese e perda de 10 kg formam o padrão típico de deficiência de tiamina e Wernicke.
C) Incorreta. Esclerose múltipla pode causar ataxia e nistagmo, mas não é ligada à hiperêmese nem explica de modo unificador a encefalopatia metabólica.
D) Incorreta. Miastenia gravis causa fatigabilidade e fraqueza ocular, bulbar ou proximal, sem alteração cognitiva, ataxia cerebelar ou nistagmo metabólico.