Mulher de 40 anos comparece ao ambulatório de patologia cervical com laudo de citologia, indicando células glandulares atípicas, não podendo afastar lesão de alto grau. A colposcopia é satisfatória e normal.
AGC com colposcopia normal não encerra investigação: o canal e o endométrio podem esconder a lesão.
Acima de 35 anos, acrescente avaliação endometrial conforme risco e achados de imagem.
Antibiótico não corrige atipia citológica e conização não é automática.
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Contexto
Células glandulares atípicas apresentam risco relevante de lesões cervicais glandulares, escamosas e endometriais. Uma colposcopia normal não encerra a investigação porque o epitélio glandular se estende pelo canal endocervical e alterações endometriais não são visualizadas no colo. As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero de 2016 recomendam colposcopia, nova coleta citológica com atenção ao canal e avaliação do endométrio em mulheres acima de 35 anos ou com fatores clínicos de risco.
A paciente tem 40 anos e colposcopia satisfatória sem lesão. Entre as opções, a combinação de nova citologia e ultrassonografia transvaginal melhor representa a continuidade da investigação do trato genital superior. Se a ultrassonografia for anormal, houver sangramento uterino ou persistência da atipia, deve-se obter amostra endometrial e aprofundar a avaliação endocervical.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Repetir a citologia, incluindo amostra endocervical adequada, e investigar endométrio e anexos por ultrassonografia é compatível com a conduta brasileira para mulher acima de 35 anos com AGC e colposcopia normal.
B) Incorreta. Conização imediata não é automática diante de colposcopia normal. Procedimento excisional é reservado a persistência da alteração, suspeita de adenocarcinoma in situ, discordância relevante ou investigação inconclusiva.
C) Incorreta. Estrogênio tópico pode melhorar visualização em atrofia e colposcopia insatisfatória, situação diferente da descrita. Não trata atipia glandular.
D) Incorreta. Amostragem do canal pode integrar a investigação, mas antibioticoterapia polimicrobiana não tem indicação, pois AGC não é diagnóstico de cervicite bacteriana.