Abortamento de repetição é um dos maiores desafios da medicina reprodutiva, cuja dificuldade de identificação da causa pode levar a tratamentos ineficazes e sem comprovação científica, que não alteram o prognóstico.
Pegadinha: portador de translocação balanceada é saudável, mas pode formar embriões desequilibrados.
Mioma relevante é o que distorce a cavidade, não o subseroso.
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Contexto
Abortamento de repetição pode decorrer de alterações cromossômicas, síndrome antifosfolípide, malformações uterinas, algumas doenças endócrinas e causas ainda inexplicadas. Rearranjos cromossômicos balanceados, como translocações robertsonianas, não causam doença no portador, mas podem gerar gametas com material cromossômico desequilibrado e embriões inviáveis.
A ASRM 2026 reconhece translocações parentais como causa estabelecida e recomenda aconselhamento genético quando identificadas. A avaliação pode incluir estudo cromossômico do material gestacional e cariótipo parental conforme história e resultados. O casal deve receber informação sobre prognóstico, diagnóstico pré-natal e opções reprodutivas.
Mioma subseroso não distorce a cavidade endometrial e raramente explica perdas recorrentes. Testes para aloimunização paterna e mutação MTHFR não têm benefício comprovado na investigação rotineira e podem levar a tratamentos desnecessários.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Mioma subseroso cresce externamente e não altera o local de implantação. Miomas submucosos que deformam a cavidade são mais relevantes.
B) Correta (gabarito). Translocação robertsoniana balanceada materna pode produzir conceptus desequilibrado e abortamentos recorrentes.
C) Incorreta. Aloimunização contra antígenos paternos não é causa comprovada e imunoterapias baseadas nessa hipótese não são recomendadas.
D) Incorreta. Polimorfismos de MTHFR isolados não demonstram relação causal consistente com abortamento recorrente e não indicam anticoagulação.