Mulher de 75 anos, viúva, mãe de três filhas, com ataxia cerebelar, recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão há dez anos, sendo tratada com radioterapia e quimioterapia. Recentemente, foi diagnosticada com adenocarcinoma gástrico Borrmann III. A paciente encontra-se com caquexia, capacidade respiratória reduzida e dependente para as atividades da vida diária.
A pegadinha é escolher o tratamento mais agressivo pelo nome da doença e ignorar a reserva funcional.
Avaliação geriátrica ampla muda decisões porque fragilidade e dependência predizem toxicidade melhor que a idade isolada.
Cuidados paliativos podem coexistir com tratamento modificador da doença, desde que o benefício seja proporcional e alinhado aos objetivos da pessoa.
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Contexto
A avaliação multidimensional da pessoa idosa não decide a conduta apenas pelo diagnóstico oncológico ou pela idade cronológica. Ela integra funcionalidade, fragilidade, cognição, estado nutricional, comorbidades, reserva fisiológica, prognóstico, suporte social e objetivos da paciente. Nesta situação, caquexia, baixa capacidade respiratória e dependência para atividades da vida diária indicam reserva muito reduzida e alto risco de toxicidade, complicações e perda funcional com intervenções agressivas.
Cuidados paliativos não significam abandono nem exclusão automática de tratamento antineoplásico. Significam definir proporcionalidade terapêutica e priorizar o que oferece benefício real para aquela pessoa. O plano deve incluir controle de dor, dispneia, náuseas, fadiga e sofrimento emocional, prevenção de lesões e quedas, suporte nutricional voltado a conforto, reabilitação possível, planejamento antecipado de cuidados e participação da família. A decisão deve ser compartilhada, respeitando valores e preferências da paciente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Drogas inovadoras não são sinônimo de benefício. Em paciente caquética, dependente e com baixa reserva respiratória, qualquer quimioterapia exige demonstração de ganho clínico provável, avaliação de toxicidade e concordância com os objetivos de cuidado; suporte psicológico isolado não corrige a desproporção da proposta.
B) Incorreta. Suplementação e fisioterapia podem integrar o cuidado, mas não devem ser usadas como promessa de reversão suficiente para viabilizar cirurgia de grande porte. A indicação cirúrgica dependeria de estadiamento, possibilidade de ressecção, risco perioperatório, desempenho funcional e benefício esperado.
C) Incorreta. Radioterapia pode ser paliativa em sintomas localizados, como dor ou sangramento, mas não é automaticamente o eixo do tratamento. Caquexia associada ao câncer avançado raramente é plenamente revertida apenas por intervenção nutricional.
D) Correta (gabarito). O controle de sintomas e a preservação da funcionalidade por equipe multiprofissional correspondem ao plano mais proporcional ao estado global descrito, sem impedir que medidas oncológicas paliativas sejam discutidas caso tragam benefício concreto.