Refluxo gastroesofágico e APLV

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Questão 64
UERJ · 2024

Lactente de 3 meses, com história de uso de fórmula infantil nas primeiras horas de vida por hipoglicemia, está em aleitamento materno exclusivo desde o quarto dia de vida. Apresenta evacuações com raias de sangue nas fezes e eczema em face e no couro cabeludo há 30 dias. Não recebeu o resultado do teste do pezinho até o presente momento. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com crescimento pôndero-estatural, desenvolvimento neuropsicomotor compatível com idade e imunizações em dia.

O possível diagnóstico e a conduta adequada para o caso, respectivamente, são:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é mais compatível com proctocolite alérgica induzida por proteína alimentar, forma não mediada por IgE da alergia à proteína do leite de vaca. O padrão clássico é lactente jovem, em bom estado geral e crescendo adequadamente, com raias de sangue e muco nas fezes. Eczema reforça a associação com doença alérgica. Pequenas quantidades de proteínas do leite de vaca ingeridas pela mãe podem alcançar o leite materno e desencadear inflamação colônica.

O posicionamento da ESPGHAN de 2024 recomenda manter o aleitamento e realizar exclusão diagnóstica de leite de vaca da dieta materna por duas a quatro semanas, com orientação nutricional e suplementação de cálcio quando necessária. A melhora deve ser seguida de reintrodução planejada para confirmar a relação causal e evitar dietas prolongadas sem diagnóstico. Não se exclui soja de rotina, salvo persistência dos sintomas ou suspeita específica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Galactosemia clássica costuma se manifestar nos primeiros dias após exposição ao leite com vômitos, icterícia, hepatopatia, hipoglicemia, sepse por Escherichia coli e falha de crescimento. Nessa doença, leite materno e fórmulas com lactose devem ser suspensos.

B) Incorreta. Intolerância primária à lactose é rara no lactente e causa distensão, cólicas e diarreia osmótica ácida, não eczema nem sangramento intestinal típico. Mesmo na intolerância secundária, a suspensão completa do aleitamento raramente é necessária.

C) Correta (gabarito). Sangue nas fezes, eczema, bom estado geral e crescimento preservado em lactente amamentado apontam para APLV não IgE mediada. A conduta é retirar o alérgeno da dieta materna e manter o leite materno.

D) Incorreta. A síndrome de enterocolite induzida por proteína alimentar, FPIES, costuma causar vômitos repetidos uma a quatro horas após a ingestão, palidez, letargia e, nos casos graves, hipotensão. Não é necessário trocar o aleitamento por fórmula hidrolisada neste lactente estável.

Bizu MedBoard
  • Raias de sangue em lactente saudável e crescendo bem sugerem proctocolite alérgica, não intolerância à lactose.

  • No lactente amamentado, exclua leite de vaca da dieta materna por duas a quatro semanas e mantenha o aleitamento.

  • FPIES cobra vômitos tardios intensos e repercussão sistêmica.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Refluxo gastroesofágico e APLV” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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