Paciente de 30 anos, com estenose mitral valvar com área valvar de 20mm, evolui no primeiro dia pós-parto com queixa de dispneia e ortopneia. Ao exame, encontra-se com PA = 100 x 60mmHg, FC = 100bpm, FR = 28irpm e afebril; aparelho cardiovascular: ritmo cardíaco regular em dois tempos, sinusal, sopro diastólico 3+/6+; aparelho respiratório: murmúrio vesicular universalmente audível com estertores bolhosos bibasais; abdômen flácido e indolor, útero contraído ao nível da cicatriz umbilical; lóquios fisiológicos.
Pegadinha: o parto não encerra imediatamente o risco cardíaco; o puerpério inicial pode ser a fase mais perigosa.
Autotransfusão uterina aumenta retorno venoso e débito cardíaco.
Estenose mitral descompensa por elevação da pressão atrial e pulmonar.
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Contexto
No puerpério imediato, a contração uterina transfere sangue do leito uteroplacentário para a circulação materna, e a retirada da compressão da veia cava aumenta o retorno venoso. O débito cardíaco pode aumentar aproximadamente 60 a 80% logo após o parto e permanece elevado nas primeiras horas.
Na estenose mitral, a obstrução fixa impede o esvaziamento adequado do átrio esquerdo. O aumento súbito de volume e débito eleva a pressão atrial e capilar pulmonar, causando dispneia, ortopneia e edema pulmonar. As primeiras 24 a 72 horas após o parto são período de alto risco para descompensação cardíaca.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A capacidade residual funcional diminui durante a gestação pelo deslocamento do diafragma, mas não é o mecanismo hemodinâmico principal da congestão no primeiro dia pós-parto.
B) Incorreta. O estado pró-coagulante aumenta risco tromboembólico, mas não explica estertores bibasais e ortopneia por congestão em estenose mitral.
C) Incorreta. O retorno venoso aumenta, e não diminui, pela autotransfusão uterina e pelo alívio da compressão caval.
D) Correta (gabarito). O aumento abrupto do débito cardíaco no puerpério eleva a pressão a montante da valva mitral estreita e precipita edema pulmonar.